Inspirados

Memórias da Rua Farid Salomão

Na década de 90, na Rua Farid Salomão, no bairro Monte Alegre, nossa casa era a terceira mais antiga antes da esquina, cercada por bambus rigorosamente medidos e alinhados. A mais antiga era da nossa vizinha Zainha (Em memória), a segunda era a do Senhor Geraldo (Seu Gerardo) uns quatro terrenos acima. O chão era de terra e cascalho, não tinha postes de luz, nem rede de esgoto. O Posto do Guilé ainda não era ativo.

De pés descalços brincávamos de bola, os embates sempre era Palmeiras contra Corinthians. Como éramos menores, eu e o Diogo (bocão) jogávamos juntos contra o Brancão (Elton Perciliano).
Como qualquer criança, ora ou outra errava a bola e acertava a canela do amigo. Era motivos para empurrar, chorar e apelar. Somado aos gols do adversário, era hora de parar. Não sabíamos perder (risos).

No outro dia, estávamos firmes nas partidas, dessa vez errando a pelota e acertando o chão. Eita, a cabeça do dedo na carne (risos) – o problema não era se machucar, a questão era o banho e o temível Merthiolate. De sangue quente jogava terra e a partida continuava mesmo manqueta.

Gostávamos tanto de futebol, que anos mais tarde, organizamos um campinho nos terrenos vagos de frente a nossa casa. Nosso campo era onde hoje tem as casas da Dona Rosária, até dois terrenos antes do Posto. Organizamos os gols de madeira, fizemos as marcas do campo carpindo, tirávamos cacos de vidros, e plantas de espinhos. Eu não tinha o talento, mas tinha certeza que era Paulo Nunes, o camisa sete do Palmeiras (risos). Mais tarde o goleiro Marcos. Já o Diogo era bom naquilo.


Era um tempo difícil, mas nós crianças daquela rua tínhamos uma bola de capotão vazia, e muita vontade de brincar.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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