José

Pouco falamos de você, que não figurou na história oficial, por tua humildade e pela singeleza da tua vida, embora nobre fosse tua ascendência vinda desde Davi, rei guerreiro de Israel.
Todos que esbarramos no que ficou registrado da tua vida, intuímos as dúvidas que te afligiram nos momentos mais íntimos e decisivos. E admiramos tua dignidade e tua coragem, tua bondade e a tua disposição para perdoar.
Fácil teria sido repudiar a noiva prometida, que te apareceu concebida para a noite de núpcias antes que habitasse tua morada. Ainda hoje restam névoas sobre as razões que te guiaram para o gesto sublime, contrário à moral e aos costumes do teu povo, naqueles tempos distantes!
Olhando a trajetória do teu filho, o mais famoso dos homens que habitaram a Terra em toda a história da humanidade – para os que o consideram apenas homem – não se anotou nenhuma estranheza no teu comportamento: todos creem que fizestes parte de uma história perfeita, entre deuses e homens, de um homem-deus que habitou entre humanos, que vem sendo contada há dois mil anos. Mas às escondidas, no íntimo silêncio dos pensamentos, ainda que com grande reverência, muito se especula sobre o que pensavas em tua solidão, em tuas noites de confusão, velando o sono de tua jovem esposa encarregada de acolher na carne o prometido filho de Deus.
Apedrejamento público era a lei para esposas infiéis… Mas, repudiá-la em segredo foi o que decidistes! Seria a doçura de Maria? Seria a sua beleza a causa da tua paciência? Ou a sua imensa força de mãe que te convenceu e te acalmou? Ou todos esses dons, as causas da tua resignação? Seria apenas bondade do teu coração? Medo ou covardia é certo que não seria: vindo da linhagem do intrépido pastor guerreiro, que conhecia os mistérios da oração – “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum” – tu também, que nas tuas noites visitastes as sombras da dúvida, certamente nada temerias…
Mesmo com toda a luz vinda ao mundo por teu filho, as sombras ainda predominam nos caminhos da humanidade. Ainda apesar do teu doce exemplo de coragem e de grandeza, as mesmas dúvidas persistem hoje, dois mil anos depois! Estamos de novo às vésperas do aniversário do teu filho! E nestes dias, sempre renovamos as esperanças de que os homens aprendam a esconder suas fraquezas, em vez de as mostrar, que aprendam a perdoar, em vez de apedrejar, como ousastes fazer com tua imaculada Maria…








Linda reflexão! Sempre lembro de São José e também peço a ele quando algo no trabalho está complicado. Sou atendida! Adorei!!!
Missão sagrada de proteger os anos indefesos do próprio Deus. Também sou José, filho de José rs Parabéns!