Grávido

Pai presente e presente de pai.
As duas coisas são ótimas.
A primeira delas, ai, ai, ai,
Gera paternidades legítimas.
Recebido o resultado do exame
Do teste de gravidez,
É zelar pra que gravame
Não seja o sentimento da vez.
Em tom de caçoada,
Do amigo veio a advertência.
Nem nasceu, olha a parada:
Está transformada sua existência.
O que cresce na barriga,
Acorda instintos na cabeça.
Na haste da gestação, a espiga,
No tempo certo, amadureça!
Nova vida na casa,
Vida renovada no lar.
A pessoinha vem com asa,
Ensinando choro e castelar!
Papai era apenas marido,
Do fim de semana a dois.
Noite agora é dia comprido,
Seus interesses vêm depois.
Cuidar de um chorão,
Ou de um nenê bonzinho,
É simpatia pra o esporão,
E dores nas costas, tadinho!
Convivência deu à luz
O resultado da concepção.
Não se está em uma cruz,
Mas nela está a revelação.
Ora em diante, gente nova,
Veio para verbalizar convívio.
Sendo gêmeos ou mais, é trova,
A composição poética do alívio.
Por que será que os omissos
Têm pavor de dom maravilhoso?
São os caras, sem compromissos,
Cheios de si, um cabuloso.
Responsabilidades são consequências
De uma paternidade consciente.
Assumindo-a, e nas contingências,
De boa o é afetivamente.
Eu não perdi os meus.
Não me dou com saduceus.
Adiantaram-se ao encontro com Deus!
Saudades suas não são adeus.








