Frutos do mar

Da espuma do mar nasce Vênus, deusa olímpica da Beleza. No mito africano, Iemanjá reina no mar. Em francês, la mer.. som de mère- mãe.
Nascemos da água dentro de uma mulher… misterioso ninho n’água: medramos como flores aquáticas, conectados pelo cordão – futuro umbigo – à circulação do sangue de quem irá nos nutrir com sua carne e espírito…
Quarenta luas (quase) – gestando – se tudo corre bem.
Chegamos ao mundo, tendo que respirar – pulmões que se abrem a ventilar – agora ar, não água – com nutrição nova, complexa! Mundo entranhado.
Doravante mundos ex-tranhados …cá dentro e lá fora. Quantas luas a viver, agora?
Ao mar uterino não volveremos. Outrossim, tudo personalizado, na solidão de SER – respirar, mamar, depois mastigar, defecar – dependência absoluta – depois cuidar do asseio, dos desejos – dependência relativa – conhecer os sonhos, refletir sobre as ações, sensações, sentimentos – ó ambiguidade , reino de conflitos e dúvidas, que nunca mais nos abandonará – depois preocupação com os que amamos e queremos cerca de nós…ó responsabilidade crucial. Uff.
Viver não é banal. Quase milagre ser estar vivo.
GRATITUDE.








Lindo texto mais uma vez. Homenagem, respeito, cultura, pesquisa. Perfeito