Fibras naturais – um relato verídico do trânsito francano

Fato acontecido na Avenida Presidente Vargas, por volta das 16 horas, no dia 29 de fevereiro de 2023.
Dirigia meu carro na faixa da direita sentido bairro-centro, quando, na altura do Hospital do Coração, uma camionete entrou na minha frente sem sinalizar. Dei um toque na buzina. O motorista, um sujeito de óculos escuros, boné e camisa aberta até a altura do peito (um clichê da cidade), me olhou feio, ergueu o braço pela janela do veículo, me apontou o dedo médio em riste e acelerou até desaparecer na via.
Segui pela mesma faixa, já um pouco ansioso, e surgiu na minha frente um ‘hatch’ de pequeno porte, me chamou a atenção o bichinho pelúcia pendurado no retrovisor. Lembro-me bem, era dirigido por uma mulher com unhas grandes pintadas de alguma dessas cores que homens não sabem o nome e falava ao celular algo que parecia ser muito importante. Aliás, moça muito simpática, mas isso não vem ao caso no presente momento.
Continuando o relato, ela diminuiu abruptamente a velocidade para fazer a conversão a direita. Pisei o freio com força para evitar a colisão na traseira. Assustado, gritei:
_ Sinaliza, minha senhora! Cadê a seta? – fui ignorado pela condutora, que sumiu em uma rua lateral.
Um adendo. Tenho certeza de que os leitores, que leram esta aventura no trânsito até aqui, estão pensando: “Ah, lá! Misógino! Com o motorista homem ele só buzinou, e com a motorista mulher ele gritou”. Explico: o homem, além de alguns adjetivos menos nobres, tinha cara de CAC, e eu não sou besta de arriscar.
Enfim, estressado com homens e mulheres na loucura no trânsito francano, segui meu caminho e precisava fazer a conversão à esquerda próximo ao cruzamento com a Avenida Major Nicácio. Ao acionar a seta, senti uma pontada na mão. Me assustei, perdi o controle e subi no canteiro central.
Por sorte, não atingi um barbudinho encardido usando sandália de couro e um velho colérico da cabeça branca, que discutiam irracionalmente sobre política. De certa forma, fiquei feliz, pois consegui acabar com as diferenças deles por pelo menos um instante. Unidos e de braços dados, eles me xingaram.
E foi assim que descobri, da pior forma possível, que na fabricação dos carros modernos, o plástico e o metal estão sendo substituídos por fibras naturais. E sabe-se lá Deus quem teve a ideia, começaram a troca usando cacto na confecção da alavanca de acionamento da seta.







