Inspirados

Feia? 

A meia quadra é sua. 

Companhia é de baixinhas. 

Madrugada dessas, seminua, 

Lamentava às suas vizinhas. 


A altura favorecia a espiadela. 

O binóculo eram as vistas. 

A elegante ficou magricela, 

Deprimida, diriam os animistas. 


Dificuldade de aceitar a transformação, 

Pois a conhecia chique, vaidosa. 

As lembranças são de estação 

De calor que a enchia, orgulhosa. 


Para apurar o fato, abriu inquérito. 

Quem jogara nela a praga? 

Anelava haver um benemérito 

Para fechar a boca da draga. 


O depoimento veio sincero, 

Sob pena de falso testemunho: 

Sou o outono, e é vero. 

Suguei a sua força a punho. 


Deveria haver algum comparsa 

Para fazer tantos estragos. 

– Foi o verão, fornalha esparsa, 

No encantamento de magos! 


O que doeu, sentiu de verdade, 

Foi vê-la sem suas joias, 

Que lhe enfeitavam de vivacidade. 

Flores caídas confundem noias. 


Chegou a pensar o pior; 

A perderia em questão de dias. 

O anjo da inspiração, melhor, 

Segredou-lha sabática, sem heresias.  


Esperou o dia se compor, 

Movido a frio e ventania. 

Com o peito cheio de amor 

Contemplou arquitetura que se refazia! 


Está tudo bem entendido! 

A primavera está a caminho. 

Todo o seu charme esvaído 

Voltará em folhas, pitelzinho!

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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