Feia?

A meia quadra é sua.
Companhia é de baixinhas.
Madrugada dessas, seminua,
Lamentava às suas vizinhas.
A altura favorecia a espiadela.
O binóculo eram as vistas.
A elegante ficou magricela,
Deprimida, diriam os animistas.
Dificuldade de aceitar a transformação,
Pois a conhecia chique, vaidosa.
As lembranças são de estação
De calor que a enchia, orgulhosa.
Para apurar o fato, abriu inquérito.
Quem jogara nela a praga?
Anelava haver um benemérito
Para fechar a boca da draga.
O depoimento veio sincero,
Sob pena de falso testemunho:
Sou o outono, e é vero.
Suguei a sua força a punho.
Deveria haver algum comparsa
Para fazer tantos estragos.
– Foi o verão, fornalha esparsa,
No encantamento de magos!
O que doeu, sentiu de verdade,
Foi vê-la sem suas joias,
Que lhe enfeitavam de vivacidade.
Flores caídas confundem noias.
Chegou a pensar o pior;
A perderia em questão de dias.
O anjo da inspiração, melhor,
Segredou-lha sabática, sem heresias.
Esperou o dia se compor,
Movido a frio e ventania.
Com o peito cheio de amor
Contemplou arquitetura que se refazia!
Está tudo bem entendido!
A primavera está a caminho.
Todo o seu charme esvaído
Voltará em folhas, pitelzinho!








