Em Trânsito

Mudanças geram desconforto, medo: mesmo quando ancorados no ruim, porém conhecido. Há mudanças que se pode antecipar, visualizando trechos a percorrer até chegar a um lugar, ou momento.
Há mudança súbita, sem aviso: por descuido de atenção, ou por impotência de ação, algo se impõe à revelia, vem um sentimento de des-amparo. Des-orientação – o que virá a seguir? por onde ir? por quanto tempo? qual o destino da mudança?
As pessoas diferem nas reações às mudanças. Os que lutam contra a mudança, por vezes inevitável, quase sempre se ferem na mesma intensidade com a qual lutam. Tornam a caminhada dolorosa, o destino sentido como inalcançável, pela incapacidade de renunciar ao que se ancoravam. Há pessoas que não aceitam o envelhecimento (desejo inglório).
Outros seguem o fluir da vida, e conseguem aproveitar a viagem. Ficam na janelinha, ansiosos sim, mas capazes de historiar passagens, observar obstáculos, e reavaliar pré-juízos.
Ao renunciar ao inevitável, alguns podem ser surpreendidos com experiências novas, maiores e melhores, por terem sabido içar a âncora e navegar economizando energia, fortalecendo fé na Vida.







Brilhante e iluminador. Tenho fé na vida, e navego com esperança na chegada e no que virá depois. Obrigado, Maria Luiza!
Obrigada, Paulo, pelo retorno! Abç.