Construtor

O que sobrou do ipê
Remete a uma angiografia.
Ele, seco, à mercê,
Coração é da atrofia.
A tarde respirava ainda,
De colcha bordada às costas!
A fiandeira das nuvens, linda,
Antevia o belo das respostas.
Foi quando olhou para o alto
E flagrou o casal em carícia.
Chocados com o assalto,
Se apartaram com perícia.
A privacidade estava quebrada.
Fosse dos homens, tomaria processo!
Para se defender, numa olhada,
Apossou-se da prova do excesso.
Entre as artérias da paisagem,
Pela metade de um tronco,
Forno de barro viu, estalagem
Do alegre engenheiro bronco.
Deveriam se comportar à altura
Em seu rala-e-rola de sonhador.
Estivessem no ninho, de clausura,
A ter e a dar o seu amor!
Cabeça de homem é pequena,
Menor que a dos Barros!
Na sua ocupação obscena
Cuidados de afeto são bizarros.







