Aos braços
Caía uma chuva fina
Na parte vespertina.
Descia a General Carneiro
Com o passo ligeiro.
De molhar, não estava a fim,
Quando passaram por mim!
Era um, ou mais de dois,
Pelo que vi depois.
Moradores em situação de rua
Em euforia, sua verdade crua.
Não é que um deles
Abordou-me por todos eles?
Pedia algum trocado
A pretexto de comprar salgado.
Um corote de aguardente,
Por troféu, tinha o outro dependente.
Entra aqui em terceiro personagem
A nos aproximar na camaradagem:
Um livro de São Paulo, de história,
Capaz de tornar ilustre a escória!
Houve luz na nossa conversa,
Em fachos de paz incontroversa!
Pensei: o compêndio doutrinador
Lições deve dar sobre o amor.
Acreditei que sabia ler
Pela maneira de o deter.
Seu amigo surdo e mudo
Merecia cuidados; seu escudo.
Tirei do bolso nota de reais
Pro seu pastelzinho e algo mais.
Já eu, acossado pela fome,
Que atinge pedinte e o de nome,
Dei de ensaiar a despedida.
Seguiria eu pela descida.
Nessa hora de emoção,
A compaixão nos deu noção
De que preconceitos são diferenças
Aos que não vivem suas crenças.
O desconhecido viciado, no cansaço,
Reconheceu-se no apertado abraço.


