Visita da Deputada Profa. Bebel à Apeoesp de Franca

Em agenda pelo interior paulista, a deputada estadual Professora Bebel (PT) e o Professor Leandro Alves (PT), Diretor Estadual da Secretária de Organização da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), estiveram em Franca no último dia 3 de maio, sábado, onde visitaram a subsede do sindicato e participaram de um encontro na sede do Partido dos Trabalhadores. Recebidos com entusiasmo por militantes, sindicalistas e educadores, Bebel e Leandro também percorreram cidades da região, promovendo a integração entre diretórios petistas e fortalecendo a articulação política entre os municípios vizinhos.
Além da presença da deputada na agenda, estiveram presentes e em diálogo com a população importantes direções da Apeoesp, como Luís Gonzaga José, secretário de finanças da Subsede Franca e ex-diretor da Apeoesp, Edvaldo Máximo, diretor da Apeoesp, Graciele Alves Ferreira, secretária da Apeoesp Franca, Renato Gonzaga, membro da executiva da Apeoesp Franca e Carlos, coordenador da subsede Franca.
Na situação, além de debater os rumos e necessidades do movimento sindical, também foram feitas análises sobre a situação política nacional e internacional, apontando a centralidade de um movimento sindical classista, voltado para trabalhar em direção ao socialismo e na conquista de amplos direitos pela classe trabalhadora.
Maria Izabel Azevedo Noronha, conhecida como Professora Bebel, é uma educadora, sindicalista e deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo. Nascida em 1961, em Piracicaba (SP), Bebel começou sua trajetória profissional como professora da rede pública estadual. Formada em Letras e com mestrado em Educação, construiu sua carreira pautada na defesa da escola pública, dos direitos dos profissionais da educação e das políticas educacionais inclusivas e democráticas.
Ganhou projeção política a partir de sua militância no Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), onde ingressou como ativista de base e se destacou na luta por melhores condições de trabalho e valorização da carreira docente. Desde 2005, ocupa a presidência da Apeoesp, sendo a primeira mulher negra a liderar o sindicato. Sua liderança foi marcada por greves históricas, campanhas salariais e firme oposição às políticas neoliberais dos governos estaduais.
Em 2018, foi eleita deputada estadual pela Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), sendo reeleita em 2022. Na ALESP, atua principalmente nas áreas de educação, direitos humanos, igualdade racial e direitos das mulheres.
Durante os momentos críticos da democracia brasileira, especialmente a partir de 2016, a Apeoesp, sob a liderança da Professora Bebel, desempenhou um papel de destaque no cenário sindical e político, atuando de forma incisiva na defesa dos direitos democráticos, da educação pública e dos trabalhadores da educação.
Um dos primeiros grandes enfrentamentos foi em relação ao processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A Apeoesp se posicionou firmemente contra o que considerou ser um golpe parlamentar, jurídico e midiático contra uma mandatária eleita democraticamente. A entidade participou ativamente de atos públicos e paralisações em defesa da democracia, e, integrada à Frente Brasil Popular, mobilizou professores e comunidades escolares em todo o estado de São Paulo para protestar contra a ruptura institucional.
Com o aprofundamento da agenda neoliberal no período pós-golpe, a Apeoesp intensificou sua resistência. Denunciou os impactos da Emenda Constitucional 95 (Teto de Gastos), que congelou os investimentos públicos em áreas sociais, e combateu frontalmente a reforma do Ensino Médio, considerada um ataque à escola pública e à valorização da carreira docente. Neste contexto, a entidade fortaleceu sua articulação com outros sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda para construir uma frente ampla de luta contra o desmonte dos direitos sociais.
Em 2018, diante da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Apeoesp voltou a se posicionar com firmeza. Considerou a prisão parte de uma perseguição política e judicial que visava interditar o projeto político representado pelo PT e os avanços sociais promovidos em seus governos. A entidade apoiou as mobilizações em São Bernardo do Campo e Curitiba, organizando caravanas de professores para participar da Vigília Lula Livre e promovendo debates nas escolas e subsedes sobre os efeitos do lawfare e da criminalização dos movimentos sociais.
A deputada estadual Professora Bebel (PT) tem se posicionado firmemente em defesa do povo palestino, destacando a importância da solidariedade internacionalista frente às violações dos direitos humanos promovidas pelo Estado de Israel. Em diversas ocasiões, Bebel reforçou o compromisso com a luta contra o apartheid e o genocídio praticado na Faixa de Gaza.
Durante a realização da reunião do G20 no Brasil, em 2024, a parlamentar se somou às vozes que denunciaram o massacre do povo palestino, convocando o ato em defesa da Palestina como parte das mobilizações populares que pautaram temas de justiça global e autodeterminação dos povos. Seu apoio ao protesto buscou pressionar os governos participantes do encontro internacional a romperem com a cumplicidade diante da ocupação israelense.
Além disso, em junho de 2024, Bebel apoiou publicamente o ato nacional em defesa da Palestina, realizado de forma unificada em São Paulo, que somou mais de 5 mil ativistas e tomou a Avenida Paulista. Na ocasião, destacou que o movimento sindical, os educadores e os partidos comprometidos com a democracia e os direitos humanos não podem se calar diante do extermínio de civis e da destruição sistemática do território palestino. Seu posicionamento reafirma o legado do PT e das lutas populares na defesa das causas anti-imperialistas e solidárias.
Por fim, em meio ao crescimento da extrema-direita e de forças antidemocráticas, sobretudo durante o governo Bolsonaro, a Apeoesp manteve-se como uma das principais vozes na defesa dos direitos civis e da democracia. Denunciou a repressão contra educadores, a censura nas escolas e a militarização do ensino, além de promover a mobilização constante da categoria contra os retrocessos educacionais e políticos, mantendo um diálogo ativo com a base e a sociedade.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) é o maior sindicato de professores da América Latina e uma das maiores entidades sindicais da educação no mundo. Fundada em 1945, representa atualmente cerca de 180 mil profissionais do magistério da rede estadual paulista, entre ativos, aposentados e temporários, e possui uma capilaridade organizacional expressiva, com subsedes distribuídas em todas as regiões do estado de São Paulo.
Seu tamanho é proporcional à relevância que possui não apenas na defesa dos interesses corporativos da categoria docente, mas também como força política e social no debate sobre educação pública, políticas sociais e direitos democráticos no Brasil. A Apeoesp tem histórico de protagonismo em greves históricas, mobilizações de massa, campanhas por valorização salarial, defesa de condições dignas de trabalho e resistência a reformas que atacam a escola pública.
Além disso, atua na formação política da categoria, produzindo materiais, realizando congressos e seminários, e influenciando pautas educacionais em âmbito estadual e nacional. Sua presença constante na mídia, no parlamento e nas ruas faz da APEOESP uma referência de luta sindical combativa e comprometida com a educação como direito social.
A importância da Apeoesp também se expressa em sua capacidade de articulação com movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda, tendo papel ativo em frentes como a Frente Brasil Popular, na defesa da democracia, dos direitos civis e contra o avanço do fascismo e do golpismo.
A vitória da oposição sindical na Apeoesp, em 1979, representou um marco histórico para o movimento sindical e educacional brasileiro em plena ditadura militar. Esse episódio integrou um ciclo mais amplo de reorganização do movimento operário e popular que, a partir do final da década de 1970, começava a romper com o modelo sindical atrelado ao Estado imposto pelo regime.
Durante a ditadura, os sindicatos viviam sob forte vigilância, repressão e controle por parte do Ministério do Trabalho, que favorecia chapas governistas e dificultava a atuação de lideranças combativas. A Apeoesp não estava fora desse contexto: até então, era dirigida por setores burocráticos e conservadores, alinhados com os interesses do regime e distantes da base da categoria.
Durante o ascenso do movimento grevista na década de 70, a Apeoesp foi um dos mais importantes sindicatos que acabaram tomados das mãos do regime pela organização dos trabalhadores.
O ano de 1978 foi especialmente significativo, com greves de professores em diversos estados, revelando o crescente descontentamento com os baixos salários e as precárias condições de trabalho, além da falta de autonomia sindical.
No Paraná, os professores em greve contaram com o apoio da APP (Associação dos Professores do Paraná), o que fortaleceu o movimento local e demonstrou a importância de uma entidade sindical alinhada às demandas da categoria. Em São Paulo, contudo, o cenário era diferente. As duas principais entidades do magistério paulista na época, o CPP (Centro do Professorado Paulista) e a própria Apeoesp (Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), não apoiaram a greve, mantendo uma postura conservadora e distante da base.
Essa falta de alinhamento com os interesses dos professores em São Paulo impulsionou a articulação de setores de oposição, que viram na mobilização grevista uma oportunidade de construir uma alternativa combativa à direção da Apeoesp. Em março de 1979, essa articulação resultou na vitória da chapa de oposição ao regime militar, formada por professores engajados em um projeto de transformação sindical.
A vitória da oposição na Apeoesp não apenas alterou a dinâmica sindical no estado de São Paulo, mas também teve impactos significativos no cenário nacional. A partir da experiência paulista, outros estados começaram a se inspirar na possibilidade de romper com estruturas sindicais conservadoras e atreladas ao governo, como ocorreu com o movimento docente no Rio de Janeiro. Essa reorganização foi fundamental para a construção de um sindicalismo mais democrático e participativo, que culminaria no fortalecimento do movimento nacional do magistério e em importantes conquistas na década de 1980.
Essa conquista foi simbólica e estratégica: demonstrou que era possível derrotar o controle estatal sobre os sindicatos, mesmo sob a repressão, e abriu caminho para a reconstrução do movimento sindical combativo no Brasil. A vitória da oposição na Apeoesp precedeu experiências similares em outros sindicatos e foi contemporânea à ascensão de movimentos como o novo sindicalismo, que culminaria na fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em 1983.
Essa herança combativa e de compromisso de classe é mantida até hoje viva pela direção da Apeoesp e a maioria de suas subsedes, como em Franca.












