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Venezuela e Guiana, conflito para o Brasil

Depois de ver virtualmente resolvida a contenda ao Sul, com Javier Milei, o presidente eleito da Argentina que o xingou durante a campanha mas faz questão de sua presença na posse, o presidente Lula tem mais uma dor-de-cabeça, desta vez ao Norte. Seu amigo e aliado ideológico, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, vai realizar, neste domingo (03/12), um referendo onde buscará o apoio da população para invadir a região de Essequibo, na Guiana, que equivale a 70% daquele país, tem população de 125 mil habitantes e há grandes reservas de petróleo, ouro, cobre e diamantes incrutadas na floresta. E o que o Brasil tem com isso? Embora façam divisa, Venezuela e Guiana são separados por uma densa área de floresta e a forma mais fácil dos venezuelanos ocuparem a área reivindicada é passar pelo território brasileiro.

Por conta da possibilidade de servir de ponte, o Exército Brasileiro já reforçou a guarda na froteira venezuelana e o propósito é impedir a passagem que, se ocorrer, envolverá o Brasil no conflito que, até agora, não nos pertence. A disputa do território já soma mais de 200 anos, desde os tempos em que Venezuela pertencia à Espanha e Guiana à Inglaterra. A pendência vem rolando conforme os interesses de época e se encontra na Corte Internacional de Haia, a quem ambos os países pedem tutela. O organismo decidiu ontem que as Venezuela não pode anexar o território pretendido. A Venezuela possui um bem equipado exército com 129 mil homens e a Guiana tem apenas 8 helicopteros antigos e 3 mil militares. Se deixar tudo correr no ponto de vista da conquista, a ocupação já pode ser considerada feit.

O que se espera agora é que o Brasil – como terceiro involuntariamente incluído no possível conflito – realize gestões para evitar atos extremos. Que Lula, valendo-se da amizade e do apoio que tem manifestado a Maduro, o convença a não agir militarmente para evitar que a região volte ao tempo da barbárie e da dominação territorial pela força. Como propagandista de Maduro (quando muitos o criticam), o presidente brasileiro poderá ser o salvador da paz e – mais ainda – da segurança da população da Guiana e até da brasileira do Estado de Roraima que – se houver intervenção militar, poderá restar no meio do conflito.

Solucionada a saia justa ao Sul (com a Argentina), Lula precisa agora atuar para evitar o desfecho militar no Norte. Com o maior território e economicamente mais forte, o Brasil tem obrigação de cuidar do equilíbrio da região. Evitar ao extremo que os vizinhos se envolvam em conflito e, na medida do possível, costurar a paz entre eles. No caso específico da Guiana, espera-se que a Inglaterra, por sua majestade Charles III, pelo primeiro ministro e demais instâncias de poder, também ocupe um lugar de bombeiro nesse conflito. Não devem esquecer que a divergência é resultante do tempo da Guiana Inglesa, até a data da independência (1966) governada por Londres.

Já que falará com Maduro, Lula poderia, também, chamá-lo para um encontro de contas. Estima-se que o vizinho país nos deve US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões) em empréstimos do BNDES, parceria petrolífera e outros negócios não concluídos. Amigo que é amigo não dá prejuízo e nem deve ficar chateado quando é cobrado pelo amigo credor. Caro presidente brasileiro, cobre a Venezuela, sem demora. E, sempre que tiver oportunidade, faça o mesmo com Angola, Cuba, Equadro, Moçambique, Repúbloica Dominicana, Em vez de aumentar impostos, chame às falar os governos que nos deram o calote…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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