Um Natal na Calçada

Este período do ano, é um momento em que grande parte das pessoas locomovem para o centro da cidade a noite. Tudo pela magia das festas de final de ano, sobretudo o natal. As praças cheias de gente, indo e vindo de um lado ao outro. Na concha acústica, oradores com mensagens lindas de compaixão, empatia e amor ao próximo.
Luzes por toda parte, nas árvores, nos postes, no famoso trenzinho que é a alegria da criançada – e desespero dos pais pelas longas filas. Bolas grandes coloridas, carrinhos, balões, algodão doce, cachorro quente, pastel e coxinha. Sonho realizado do senhor de cabelos cinza, que vem pela calçada abraçado a sua TV de cinquenta e cinco polegadas.
Esbarrões, tropeços, sacolas e mais sacolas, estacionamento cheio, trânsito lento e cartão sem limite. Filas e mais filas. O velhinho Noel, ouve os pedidos e se comove oferecendo balas. Há aqueles que não pedem brinquedos, pois sua barriga dói de fome. Estes restam a fé. Na calçada, uma pessoa deitada tentando dormir. Uma época movimentada em que não há lugar sem luz, colocando a vista os invisíveis.
Tirando sua paz, seu sono, sua calçada. Ao seu lado uma garrafa de água, um cachorro e um cobertor colorido. A mostra estão as ausências: de compaixão, empatia e amor. Ali, é “pedra no caminho”. Vemos, portanto, indiferença com a calçada alheia e seu canto noturno. Lembro de uma fala do escritor Ariano Suassuna em uma entrevista, dizendo que se encontrasse com Deus perguntaria: “Porquê existem uns felizes e outros sofrem tanto”?
Diante a minha fé, também me pergunto: Por que somos assim, tão iluminados e tão cegos?








