Saturno em órbita

No silêncio que corre lá fora, na chuva fina e persistente, sinto o pulsar do coração.
Invento afazeres, dedilho notas imaginativas, miro o teto e colho mais pensamentos. Espirais, verticais – giram emoções em rodeios calados.
Quero escrever, mas o tédio consumista me laça em prostração contemplativa. Vem o sono.
Ao acordar, o banho me reacende em fome peculiar. Julgo ser alimentar. Não sacia. Assisto TV e leio. Há tempos, não me sentia tão absorta na imensidão do silêncio.
Parece que as paredes me cabem exatamente, mas, ao mesmo tempo, amarram a mente, o corpo.
Não sei. Vagueei pelo espaço físico em todas as posições. O silêncio esquentava, mas era ausente um quê de qualquer coisa que me deixasse um pouco mais viva nesse dia.
Sei apenas que sou eu. O tempo todo. No preparo de mais uma semana que se estende. Sabendo que a vida, a minha, é um segundo dentro da eternidade.






