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Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

          O Capitulo 13 do Evangelho de Mateus reúne sete parábolas sobre o mistério do reino dos céus. É um ensinamento que Jesus oferece a uma multidão inumerável, apesar da consciência de que poucos o acolherão: as primeiras reações à sua missão já o deixam prever. A resistência à palavra de Deus é resistência à conversão (Mt 13,15).

Jesus não entra em detalhes, nota que há corações aparentemente insensíveis a qualquer solicitação de fé. Se a semente encontrar apenas uma migalha de terra, ela brotará. A Palavra deve ser guardada, aprofundada, meditada, rezada.

O semeador não espera que o campo esteja pronto para receber a semente, mas lança a sua palavra em qualquer tipo de solo. O semeador não faz cálculos, não planta a semente apenas onde espera colher mais frutos, mas arrisca, investindo em qualquer tipo de terreno, ou seja, Deus lança sua palavra, ele se comunica, ele nos ama e seja qual for a estação que estejamos vivendo, Ele permanece confiante de encontrar uma terra boa que produza bons frutos.

É verdade que muitas vezes consideramos a reciprocidade como um valor fundamental da nossa cultura, quando se diz: “só me comprometo quando tenho certeza de que você fará o mesmo comigo”. Mas este não é o estilo do Evangelho, no relacionamento entre pessoa humana e Deus. A Palavra de Deus é lançada em todos os corações, seja ele um coração duro e impermeável, seja um coração inconstante e preocupado com os bens materiais, ou mesmo até um coração sufocado pelos vícios; e por último encontramos um coração que realmente deseja nutrir-se e fortificar-se acolhendo a Palavra de Deus?

E é exatamente isso que acontece com este Semeador: em meio a tão grande e aparente fracasso, aos olhos dos homens, permanece o fato de que milhões de pessoas pelo mundo afora, já acolheram o Evangelho de Jesus Cristo, e suas vidas mudaram radicalmente.

O evangelho aparece então como a Boa Nova a ser acolhida com esperança, sem desanimar com a labuta diária. No centro do Evangelho está o anúncio da Misericórdia de um Deus que ama cada um em vitórias e derrotas. Se acolheres a sua Palavra como dom, o teu coração abrir-se-á à confiança e caminharás na esperança, reconhecendo a enorme distância que existe entre aquilo que somos e o que Deus nos dá. O Fruto, portanto, que esperamos é aquele que se refere o Apóstolo Paulo em sua carta: que toda a criação que geme e sofre em dores de parto seja revestida de glória (cf. Rm 8,18-23).

Fonte: Portal Cerco il tuo Volto, Paolo Curtaz, P. Gaetano Piccolo e Pe. Giovanni D’Ercole. 

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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