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“Por entre aclamações Deus se elevou”

(Sl 46,6)


“A ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde voltará, até lá, no entanto, o esconde aos olhos dos homens” (CIgC, 665). O Senhor está em plena comunhão de vida, de amor e de poder com o Pai, sentado à sua direita, no seu mistério, no seu ser e na sua soberania. A sua glorificação não se explica com a razão humana, só os olhos da fé nos levam a celebrar o seu senhorio.

“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus” (Cl 3,1). Contemplamos o Senhor na sua glória, nosso desejo é o céu, nossa mente e nosso coração se voltam para o alto, onde está Cristo.

A vida interior é essencial na experiência cristã, é entrar no mais profundo do nosso ser, onde Deus faz a sua morada. Santa Teresa de Jesus escreveu Castelo Interior, um guia de viagem para se chegar ao interior da alma, onde se encontra um castelo e nele mora um Rei. Nossa alma é um grande castelo composto de moradas: o Senhor mora no mais íntimo de nós. Não há nada mais grandioso, depois de Deus, do que o ser humano, na sua interioridade.

Na sociedade atual, a interioridade perdeu espaço. O que vale são as aparências, a matéria, o rumor, o barulho, o entretenimento e a distração. Mais cedo ou mais tarde, vem o vazio, pois nenhuma ação legítima se sustenta se Deus não estiver na sua origem. Sem a vida interior e sem a oração, não há fiel consagração, eficácia no apostolado e caminho de santidade.

Buscamos as coisas do alto, onde está Cristo, mas a nossa missão se realiza no tempo. Somos peregrinos da fé e da esperança, e procuramos lançar com confiança e fidelidade, as sementes do Evangelho.
Jesus foi arrebatado ao céu, mas prometeu estar conosco todos os dias, “até ao fim do mundo” (Mt 28,20). O encontro com Ele se dá por meio dos sinais simbólicos da liturgia. Pela ação do Espírito Santo, encontramos o Senhor na Sagrada Escritura, lida e celebrada na Igreja, na Sagrada Liturgia, sendo a
Eucaristia lugar privilegiado, na oração pessoal e comunitária, na piedade popular e na caridade fraterna.

O Espírito Santo infunde em nossos corações o amor de Deus que nos purifica e nos santifica. Agora é tempo da vigilância e da ação, do apostolado e do testemunho. É tempo de servir a Deus, ao bem e à verdade, aos irmãos e irmãs, esperando o dia glorioso de Cristo Jesus.

“Preservar vozes e rostos humanos”. O Papa Leão XIV nos exorta a colocar a Inteligência Artificial e a tecnologia a serviço da dignidade humana, defendendo a comunicação autêntica contra toda desinformação.

Que o Pai abençoe e ilumine os comunicadores, que sejam profissionais a serviço da vida e da liberdade.
“Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso” (Sl 46,9).

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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