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Finalmente, nós!

Todos os dias, nos últimos dois meses, elas vêm alegrando os meus caminhos: com seus sorrisos de esperança, seus cabelos coloridos e diversos, seus windbanners balançando ao sabor da brisa.

E cada vez que passo por elas, sinto que há algo novo acontecendo.

Algo forte.

Algo que já vinha se anunciando há tempos, mas que agora começa a ocupar as ruas, os espaços públicos, os olhares.

Está nos gestos. Nos acenos de cabeça. Nos sorrisos de cumplicidade. Naquela sensação de que estamos vivendo alguma coisa que ainda não conseguimos explicar completamente, mas que podemos sentir.

Há uma energia diferente nessas eleições. E ela tem nome: mulheres ocupando o espaço que sempre lhes pertenceu.

Ninguém pode mais ignorar que precisamos de mais mulheres nos espaços de poder.

Somos maioria da população brasileira, mas continuamos sub-representadas justamente onde as decisões que afetam nossas vidas são tomadas.

Querem o nosso voto. Sempre quiseram.

“Como conquistar o voto das mulheres?”

Mas ainda precisamos perguntar:

Quando vamos deixar de ser apenas eleitoras para sermos também protagonistas?

Quando vamos deixar de ser maioria nas urnas e minoria nos lugares onde o poder é exercido?

É claro que existe uma desigualdade estrutural enorme. Mulheres ainda enfrentam obstáculos, preconceitos e padrões que não são impostos aos homens da mesma maneira.

Mas, para mim, existe uma razão ainda mais profunda para defender a presença feminina na política.

Precisamos de outros olhares.

Mulheres, em geral, trazem para os espaços de decisão experiências diferentes, outras prioridades, outra percepção das consequências das escolhas públicas. Muitas de nós fomos ensinadas a administrar o cotidiano, a enxergar conexões, a perceber detalhes, a cuidar do coletivo. Mulheres são sistêmicas!

Não porque sejamos melhores.

Mas porque a política fica incompleta quando metade da sociedade não está suficientemente representada nela.

E talvez seja justamente isso que esteja começando a mudar.

Quando vejo os banners dessas mulheres pelas ruas, não vejo apenas propaganda eleitoral.

Vejo coragem.

Vejo mulheres que decidiram colocar seus nomes, suas histórias e suas ideias à disposição da sociedade.

E sinto orgulho.

Mas, acima de tudo, sinto uma coisa que durante muito tempo me fez falta:

representação.

Finalmente, olho para aquelas mulheres e penso:

“Qualquer uma de nós poderia estar ali.”

E talvez seja essa a verdadeira mudança.

Não apenas eleger mulheres.

É fazer com que uma menina olhe para uma mulher ocupando um espaço de poder e saiba que aquele espaço também pode ser dela um dia.

Está na hora de nós, mulheres, deixarmos de pedir licença.

Está na hora de ocuparmos o nosso lugar.

Eliane Sanches Querino

É diretora executiva da Know How. Professora de inglês e empresária. É líder e uma das fundadoras do Grupo Mulheres do Brasil.

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