Desabafo deletério

Jogado na vida,
com jornada dupla,
em linhas tênues de bem e mal.
Escolha certa, escolha errada.
A bala é sempre atirada
vinda ou não de um cano fumegante!]
A roda gira.
Às quatro, estou na onda do momento.
É escravidão civilizada.
Uma jornada inteira nas mãos calejadas,
sobrecarrega ombros, pernas…
‘Boa sorte, filho! Chorar não coloca
comida no prato.’
O meu melhor, todos os dias.
Faço escolhas de sobreviver.
sem tempo pra viver em sonhos.
Sou realidade:
mãos abertas ao céu; imploro perdão!]
Não há tempo pra nada, a não ser não me render!
Busco a vida em tudo que faço, mas tenho obrigações que se rasgam!]
Em preto e branco,
sigo rotinas
Que se espalham em direções confusas
Dentro da alma.
Jogado de parede a outra,
sinto, em pressão arterial,
o que não posso dizer.
Parece que tudo se espalha…
E se perde – sem que possa viver de verdade.]
Não posso lamentar porque é o destino.
Posso correr pra ser melhor.
Mas sei que no banquete
que fervilha em outras bocas,]
jamais poderei participar.
Não por incapacidade,
mas por ser real,
num mundo onde o que se conta
é o que tem.
Não o que pode ser!






