Benza Deus

Quando saiu nesse frio da manhã de quarta-feira do mês de julho, já abriu um dos olhos – ficou parecido a um pirata (risos). Logo a doutora o advertiu carinhosamente como se ele já fosse um instruído: “Abra este outro olho rapaz”. De modo que não nega o “seu sangue”, após um tenso silêncio veio uma resposta à altura. Um choro potente e contestador, provavelmente gostaria de ficar no confortável útero da mamãe. Um meninão de três quilos e seiscentos gramas, de cinquenta e um centímetro. Como diria a sua avó paterna: “benza Deus”.
Se os anjos são ou não como as imagens de bebês alados, não me preocupo. Pois, esta experiência humana é de fato iluminada. Toda uma força motriz se volta para aquele “pacotinho” fofo. É a irmã mais velha de cinco anos – mini adulta – querendo cuidar com o mesmo capricho que faz com as bonecas. A mãe, ainda que doce, advertindo e protegendo do amor sem medida da garotinha primogênita.
A avó materna ansiosa para cuidar da cria e de seu neto. O avô paterno querendo já levar para pescar. Tios e tias são quem mantêm o termômetro do fofurômetro. Amigos todos enchendo a caixa de mensagem pedindo notícias, enquanto isso observo toda esta atmosfera de afeto. Já havia passado por uma experiência de amor como essa com minha primeira filha. Ela foi quem me deu o maior título que tenho: Ser pai. Mas, a “codificação celeste” determinou que eu tivesse novamente esta vivência de amor com outro filho.
Vou repetir o que mencionei em outro momento, quando ouvi o coração da filha mais velha pela primeira vez: quero expor a vibração pacificadora que o mundo tanto precisa. Contrapor qualquer triste realidade é uma justa conduta. Além disso, apresento-lhe o vigor de meu amor. Bem-vindo ao mundo.
Dione Castro
21/07/2023






