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A Segurança Pública no tempo da Inteligência Artificial

Na semana passada, a convite do coronel Luiz Fernando Alves, seu comandante, tive a honra de fazer uma visita ao Comando de Policiamento do Interior 1 (CPI-1), em São José dos Campos, minha Unidade de origem na PMESP , onde me foram apresentados novos dispositivos tecnológicos para suporte e maior eficiência à atividade de policiamento ostensivo. Junto aos demais presentes, tive a oportunidade de verificar os avanços da informática e seus recursos – como as câmeras inteligentes – para o monitoramento de vias, pátios, saguões e áreas de circulação, e sua aplicação na prevenção de delitos ou contravenções, assim como a sua eficiência na identificação e localização dos autores.


Instalado em consonância com os objetivos de segurança, o instrumental é capaz de identificar os veículos que circularam pela área do crime, identificar condutores e passageiros através dos dispositivos de reconhecimento facial e do cruzamento de suas informações com as do arquivo do sistema de segurança. A identificação eletronica é capaz de adiantar o trabalho e, além disso, evitar operações de bloqueio, perseguições e confrontos onde podem ocorrer baixas tanto no lado da tropa quanto no dos infratores. É a aparelhagem preservando vidas e dando eficiência às tarefas.


Recordo que no surgimento das primeiras câmeras, décadas atrás, ficamos esperançosos com as possibilidades que, mesmo na sua pobreza de recursos, apresentavam. Hoje é inimaginável a existência de vias de alguma importância que não disponham de recursos de monitoramento por câmeras, que passaram a servir como valioso auxiliar na investigação policial. O avanço tecnológico vai ampliando a utilidade e eficiência dos instrumentos e melhorando a resolutividade do trabalho. Aquilo que no passado era feito com vigilância pessoal hoje pode ser executado pelo sistema de imagens colhidas pelas câmeras, com a vantagem de as imagens servirem como prova tanto para a montagem do cenário quanto para sustentar a acusação criminal.


Estamos num ponto extremamente interessante da expansão tecnológica. Os sistemas de Inteligência Artificial que aos poucos vão chegando ao mercado, apresentam grande potencial colaborativo. Não tenho dúvidas de que, convenientemente aplicados, representarão importante avanço para a sociedade, notadamente na nossa área de segurança pública. Os governos precisam estar atentos para o melhor aproveitamento dessas novas ferramentas e, logicamente, para conter o seu uso pelos esquemas criminosos, contrário aos interesses da sociedade. A Inteligência Artificial e as novas tecnologias, agregam ao trabalho policial militar e se tornam importantes ferramentas para a otimização do emprego do efetivo e dos meios disponíveis.


Como alguém que veio do romântico tempo do fusquinha como viatura e do revólver 38 como instrumentos básicos de policiamento, surpreendo-me raciocinando sobre as novas possibilidades de aplicação tanto da informática quanto de aplicativo, armas e viaturas. Oxalá os governantes de todos os níveis (Federal, Estadual e Municipal), estejam também dispostos a raciocinar nessa direção e a investir da maneira mais acertada e contemporânea os recursos destinados à Segurança Pública.


A tecnologia evolui e vai sendo disponibilizada no mercado. É preciso ter em mente que sua aplicação é inevitável. Se os governos e esquemas oficiais não a empregam para melhorar o nível de segurança e conforto da população, os esquemas criminosos o farão de forma competente e no desinteresse do cidadão e do conjunto da sociedade. Que venha, as câmeras, radares, redes e arquivos inteligentes. Esse aparato, reunido e bem planejado, é capaz de proporcionar a percepção de segurança com menor letalidade e devolver ao povo a sensação de alivio a que todos temos direito.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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