A rua dos gatos

O caminho de sete cores levou Escudeiro para infindos lugares. Todavia, como era um garoto razoavelmente preguiçoso, abreviou a viagem aportando em Franca, bem na rotatória que a Alonso y Alonso compartilha com a rua Jorge Matoso e a Goiás.
Por ali mesmo encontrou e alugou um apartamento e hora de relaxar na plenitude de morar sozinho.
Ao menos até a chegada da miudinha Veridiana, uma gata cor de café com leite. Escudeiro não soube como, mas quando chegara do mercado, a pequena simplesmente saltou do bolso de sua camisa polo para o chão do apartamento. Miou baixinho e pronto: era a primeira companheira de quarto.
Primeira porque logo veio a Chérie (com pronúncia francesa, hein), escondida dentro de uma caixa de papelão. Pretinha como jabuticaba, gostava de dormir afastada, em cima do guarda-roupa.
E finalizando com leves batidas na porta, Kowalski. Rajadinho em tons caramelo, não conseguia abrir muito os olhos, parecendo sempre sonolento ou debochado.
Todos os três gatos tinham um ano de diferença de idade. Assim, Kowalski ainda estava no frenesi de filhote, enquanto as duas mais velhas ressonavam pelos cantos. E esse frenesi incomodava até Escudeiro, sendo despertado em madrugadas com o gatinho saltando sobre travesseiros.
– Kowalski, eu quero dormir – resmungava o garoto, aproveitando para ir ao banheiro e observando que faltava algo. – Cadê a Veridiana e a Chérie?
Ele nunca soubera como saíam do apartamento, no quarto andar, sumiam por muito tempo e voltavam na aurora.
A explicação era, obviamente, a rua dos gatos.
Toda cidade possuía, no mínimo, um local preferido pelos felinos. Sem contar as desconhecidas vias, em Franca existiam quatro.
Tarcísio, cujo o carro vivia quebrando, precisou ir a pé para o serviço, numa madrugada que os ventos de agosto estavam terríveis, e passou na esquina de uma dessas ruas.
Com a mochila nas costas, ele descia pela rua Vitória pensando no tempo que levaria no trajeto até o trabalho. Parou, vendo o cadarço desamarrado e agachou para organizar.
Sentiu olhos atentos em si e um monumental silêncio. Devagar, virou a cabeça à direita e se assustou com as dezenas, talvez centenas de gatos na rua Natal, muros da escola Ângelo Gosuen.
O mais quieto que conseguiu, com a respiração presa na garganta, Tarcísio se levantou. Em uníssono, todos os gatos deram um longo miado.
Com os dedos dormentes, o rapaz arriscou um passo para trás e, em couro, três agressivos miados foram a resposta.
Para a sorte de Tarcísio, outras pessoas saíam para trabalhar. Um motociclista atravessou acelerado, espalhando a gataria pelos telhados vizinhos. Em segundos, o rapaz desembestava pela av. Adhemar Pereira de Barros, sumindo para bem longe.
Horas depois, com Kowalski arranhando o sofá, Escudeiro preparava café, preocupado com suas gatas.
Juntas, adentraram pela cozinha, miando por ração.
– Onde vocês estavam, cretinazinhas? – perguntou Escudeiro.
Ignorando, puseram-se a ronronar, se esfregando nas pernas do humano, inquilino no território que elas governavam.
Nome: Lindolfo Junior Domingos da Silva
Nome literário: Lindolfo Junior
Telefone: (16) 99269-6586
Instagram: https://www.instagram.com/jhunnyor_ds?igsh=ZG0zMTN0MDVueTQ0








Boa gatos já nascemos pobres porém já nascemos livres…. Quem e gaiteiro sabe que cada gato tem sua personalidade diferente hehehe a como eu os amo Bartolomeu vai amar ouvir esse conto comigo. Aliás está aqui do meu lado ❣️