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A prevenção às forças da Natureza

Depois de acompanhar o noticiário catastrófico dos efeitos da chuva e demais fenômenos da crise climática no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e até no Paraná, somos alertados que neste final de semana, nós, os moradores das regiões Sudeste, Centro-Oeste e até do Norte e Nordeste poderemos ser alcançado, por precipitações que poderão somar de 70 a 130 milímetros, o que dependendo do tempo em que ocorrer poderá resultar em inundações.. Até aí, tudo bem, pois o conhecimento antecipado do quadro enseja a adoção de medidas preventivas, tanto pela população quanto pelos órgãos e empresas prestadoras de serviços. Saber, por exemplo, que não se deve deixar o carro na rua, não transitar por vias alagadas ou estacionar sob árvores ou fios que possam ser derrubados pelo vento.

Além dessas cautelas básicas diretamente ligadas ao efeito da chuva, do vento e seus complementos, quem mora ou tem propriedades em área de risco deve fazer tudo para evitar o efeito das enchentes, dos deslizamentos de encostas, do desabastecimento de água e eletricidade e de todos os danos colaterais ao mau tempo. Temos notado que, talvez em razão da atividade exacerbada do fenômeno ‘el niño’ ou até de outras variáveis do tempo, vivemos situações inusitadas. Até recentemente era difícil ou pelo menos raro o dano causado pelo vento, que soprava em velocidade quase sempre inferior aos 50 km/h, mas gora vem a 60, 70, 100 ou até mais e destrói as estruturas, que não foram projetadas para essa potência de deslocamento.

O planeta inteiro está com o clima alterado. Enquanto no Brasil enfrentamos altas temperaturas (até a sensação térmica de 60 graus, apurada no Rio de Janeiro), o hemisfério norte experimenta temperaturas baixíssimas que vão a dezenas de graus negativos. Isso sem falar dos incêndios florestais que não ocorrem só na Amazônia brasileira, mas são registrados também na Califórnia (EUA), Canadá e outras regiões. Temos de admitir que o quadro é atípico e, mais que identificar, tomar providências para que seus impactos sejam os menores possíveis.

Não podemos continuar sofrendo longas interrupções de eletricidade, de água e da transitabilidade das vias públicas que nos servem de caminho. É inaceitável que em São Paulo e nos outros centros mais desenvolvidos do País haja consumidores que ficam com o fornecimento desses itens básicos desligado por até mais de uma semana porque as operadoras não dispõem de recursos para restabelecer o serviço. Isso só foi admissível quando mudou abruptamente o regime climático; mas, agora, que todos sabemos como as coisas passaram a ocorrer, cada responsável pelos serviços tem o dever de manter a celeridade em sua prestação. Isso vale para as concessionárias e, principalmente, pelas agências reguladoras, que têm de exigir o cumprimento das clausulas contratuais e a regularidade dos serviços. Elas existem, são custeadas com o dinheiro público, para zelar do interesse da população.

Temos acompanhado as discussões sobre aplicação de multas, penalidades e até a suspensão dos contratos das prestadoras de serviços. Pensamos que essa não é a prioridade. Todas elas devem ser compelidas pelas reguladoras a prestar serviços pelo menos razoáveis e só serem levadas à penalização quando descumprirem o acordado na sua contratação. Além da fiscalização, os governos – federal, estaduais e municipais – deveriam realizar estudos para melhor trato às instalações. As árvores – muitas delas impróprias à finalidade, apodrecidas na via púbica – precisam de mais cuidados e menos contato com os fios da rede elétrica. Não podem ficar sob o guarda-chuva dos ativistas ecológicos que as querem preservar a qualquer custo. As posturas públicas têm de permitir que o dono ou administrador do imóvel que tiver a árvore comprometida na sua calçada, possa contratar um engenheiro ou técnico florestal e, com o laudo desse profissional, promover o reparo ou até o corte, evidente que com o compromisso de colocar nova e adequada muda no lugar. Os canos da rede distribuidora de água potável carecem de mais revisões para evitar o desperdício que, em algumas regiões chegam a mais de 50% da água captada e tratada. Precisamos de modernização das instalações, principalmente porque isso tornou-se imperativo do regime climático. Aquilo que resistia ao vento (menor de 50 km/h), não se mantem em pé nos ciclones, tornados e outros fenômenos violentos que, para preocupação geral, se fazem presente em nosso território.

A implantação e manutenção das redes – de eletricidade, comunicações, água e esgoto constitui um emaranhado de devidas e métodos muitas vezes inadequados. É preciso que todos falam a sua parte para evitar colapsa-o. O órgão público e as concessionárias não têm capacidade para socorrer sinistros em larga escala. Mas podem facilitar ao munícipe realizar os reparos à frente do seu imóvel mediante fiscalização para que tudo saia conforme o requisito técnico. Essa simples providência somada ao aconselhamento para que ninguém negligencie reparos ou enfrente enchentes, sem dúvida, Serpa capaz de reduzir em 80% os sinistros que hoje incomodam a população. Pensem nisso as autoridades e, também, os parlamentares que podem elaborar leis nessa direção…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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