A minha casa

Não são paredes
Nem tijolos, argamassa,
Não é o teto, telhas,
Janelas e portas, a minha casa.
Não é para evitar chuva,
Nem vento, nem poeira,
Não é para guardar carro,
Plantar flores, ter banheiro.
Não é para fugir do mundo,
Cozinhar e requentar comida,
Embelezar a vida,
Pendurar quadros, ouvir música.
O que é minha casa, então?
A casa tem rosto, braços, pernas.
Tem chão, céus.
Tem afetos, reunião.
– a casa é minha, não só minha.
É espaço criado, coconstruído
Em lágrimas, sangue, risos,
E tempos corridos.
“A casa é estado de espírito”,
Espírito que sonha, cria, convive,
Compartilha sementes, é casulo, estufa,
Ensaio de vidas futuras, presentes, passadas,
Entrelaçadas visões.
A casa pode ser transformada,
Reformada, destruída,
Mas ninguém tira minha casa dos sonhos
Na memória guardada
Feito fantasma, feito corpo e alma,
Feito o que sou e não sou.










Parabéns Maria Luiza.
Como sempre maravilhoso
Obrigada, querida Márcia, pelo retorno!