
Trezentos mil consumidores de eletricidade no Estado de São Paulo amanheceram a terça-feira apagados. Um verdadeiro caos numa sociedade onde a maioria dos equipamentos e utensílios domésticos. profissionais, púbicos e privados, têm alimentação elétrica. Culpa-se o fenômeno ‘el niño’, que vem do Oceano Pacífico, como responsável pela anormalidade. Mas não é só isso. Temos, principalmente, a falta de prevenção aos acidentes climáticos e a ausência de política ambiental sustentável, que não se restrinja ao sustento dos aproveitadores que se travestem de ecologistas em busca de votos que os fazem vereadores, prefeitos, governadores, secretários, ministros e ocupantes de postos regiamente remunerados, tudo à custas de um ativismo imobilista e irresponsável. Antes de defender o verde e as árvores, esses indivíduos priorizam suas próprias carreiras, que nem sempre têm a ver com a causa ambiental.
Em vez da defesa instransigente das árvores, do abraço nas que estão sob risco e do acionamento de mecanismos que impedem o desenvolvimento sob a suposta defesa do verde, essas criaturas deveriam se preocupar com a sustentabilidade. Não permitir que se plantem espécies inadequadas às cidades e a outros nichos. Trabalhar para a substituição de estruturas apodrecidas que possam despenscar sobre pessoas, veículos, rede elétrica e demais equipamentos sociais e urbanos.
Quando jovem, morei numa cidade – que prefiro não declinar o nome – onde um ambientalista que se achava iluminado promoveu o plantio de seringueiras na área urbana. Além das árvores, cresceram também as raízes que têm a característica de “procurar” água. Muitas dessas plantas atacaram a saída de esgoto dos prédios próximos e causaram enorme prejuízo tanto aos munícipes quanto ao poder público, que tiveram de consertar os estragos. É preciso evitar o plantio sem ter o conhecimento de sua compatibilidade com o lugar. Da mesma forma, há que se criar mecanismos para a arborização responsável e inteligente e a fiscalização por parte dos órgãos ambientais. Quem planta mudas sem critério, em vez de ajudar, está atrapalhando. E os órgãos fiscalizadores têm de se manter atentos e ativos antes que o erro se transforme em desastre.
São Paulo, assim como os demais municípios precisam ter uma política ambiental mínima. Não aquela que favorece os exploradores políticos. Mas voltada à salubridade das árvores e sua convivência pacífica com os equipamentos urbanos. Atualmente, a convivência das árvores das calçadas com a fiação da rede elétrica é precaríssima e pouco se faz para mudar o quadro. Temos milhares de árvores plantadas sob os fios que, para não avariá-los, sofrem poda radical e mutiladora. E quando uma estrutura dessas cai sobre os fios, o estrago é grande e provoca dias de apagão, como o que hoje se faz presente.
Pouco adiantam as campanhas dos ativistas que fazem da política ambiental o nefasto caça-votos. É preciso que prefeituras e órgãos ambientais conscientizem a população da necessidade de, antes de qualquer coisa, observarmos a árvore que existe na calçada ou no quarteirão de sua casa. E além de cuidar de sua integridade, buscar a sua substituição quando ela estiver apodrecida e representar risco. Se todos tomarem esse cuidado, certamente não teremos mais os longos períodos de apagão como os que hoje castigam São Paulo.
Ainda mais: os órgãos encarregados da fiscalização de serviços públicos – água, eletricidade, esgoto e outros – devem cumprir suas funções integralmente. Do contrário, os problemas serão insolúveis…







