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Os Primeiros serão últimos

“O reino dos céus é como um proprietário de terras que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Tendo combinado com eles um denário por dia, ele os enviou para sua vinha”(Mt 20,1s).

Por que dizemos ser esta uma bela imagem? Porque Cristo, para nos fazer compreender o que é o Céu, diz-nos que é aquele lugar onde as pessoas que se sentem inúteis são consideradas úteis.

O homem sem Deus é como um trabalhador deprimido e desanimado que passa o tempo esperando por alguém que não chega, e talvez se convencendo de que não só não é capaz de fazer algo útil para sua vida, mas que talvez ele mesmo se sinta uma pessoa inútil. 

A lógica da justiça do mundo é aquela de dar o equivalente ou aquilo que a pessoa mereça pelo que fez. A lógica da justiça de Deus é a misericórdia e a gratuidade. “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos.” O estilo de Deus não é como o nosso. 

A parábola que ouvimos convida-nos, de facto, a adquirir o olhar de Deus que vê a todos com o olhar do bem, como amigos e não como rivais, a alegrar-nos com os nossos irmãos na mesma compensação que Deus quer dar aos todos, ou seja, a moeda de prata, a Vida Eterna. Até mesmo o Papa Bento XVI na sua eleição como Papa da Igreja, dizia: “Sou um simples e humilde trabalhador da Vinha do Senhor”.

Ninguém pode esperar recompensas, muito menos privilégios, por eleição ou vocação. Aqui não é usada a justiça distributiva por merecimento: ‘Eu trabalho, ganho, logo exijo’. Esta é a lógica do nosso pensar e viver. E a Parábola continua: ‘Ou o teu olho é mau porque eu sou bom?’ A inveja deriva de  in-videre , ou seja, ‘não querer ver’ a felicidade, o bem, a alegria do outro, como se isso fosse um ataque a nós mesmos.

O ciúme e a inveja podem surgir no nosso coração – porque «é do coração humano que… nasce todo tipo de maldade» (Mc 7,21-22) – mas devem ser combatidos, para alcançar progressivamente, no exercício da escuta do outro, a compaixão e empatia com ele, para nos alegrarmos quando o outro se beneficia da nossa bondade, que é sempre também a bondade de Deus.”

Fonte: Portal Cerco il tuo volto, Pe. Luigi Maria Epicoco e Enzo Bianchi. 

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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