
A comunhão exige um compromisso sério, até mesmo um esforço, e trata-se também de sermos responsáveis e guardiões do outro: “Acaso sou o guardião do meu irmão?” (cf. Gn 4,9), disse Caim depois de ter matado o seu irmão Abel. Violência, guerras, divisões, calúnias, fofocas, inveja, homicídios, tudo isso acontece até mesmo dentro das melhores famílias. O risco é cair no ressentimento, no ódio e no rancor. Pior ainda, é quando esperamos do outro o primeiro passo para a reconciliação, e acabamos por não ter também nenhuma iniciativa nesta direção.
Num relacionamento, num vínculo, a responsabilidade para com o outro é importante. O outro é um companheiro de viagem, num caminho que não está isento de fracassos e mal-entendidos. O outro é uma dádiva e não um adversário a ser superado. O outro não é o meu inferno, mas o meu paraíso. Todo conflito, neste caso, pode ser uma oportunidade para restabelecer e fortalecer relações amistosas.
Então, o que o cristão maduro deve fazer? Admoeste quem errou, claro, mas com muita caridade. Admoesta-o no momento certo, admoesta-o com humildade e clareza. Quem realiza a correção deve ter o coração de Jesus que perdoa, que não despreza ninguém e não se alimenta de preconceitos.
Portanto, a nossa missão como cristãos, é fazer crescer a fraternidade e esta é verdadeiramente um tesouro na História da humanidade. Para isso, é necessário nos sentimos guardiões uns dos outros e também restauradores de vínculos, ou seja, aqueles que consertam incessantemente o tecido continuamente dilacerado das relações. Se o teu irmão cometer uma injustiça contra você, vá avisá-lo. Você dá o primeiro passo, recomeça o diálogo, movido pelo impulso da comunhão, buscando restaurar o relacionamento através da reconciliação e do perdão.
Mas, pensando bem, o que me autoriza a intervir na vida de uma outra pessoa? O amor fraterno. Posso com segurança dizer àquele irmão ou àquela irmã: “você está no meu coração e eu cuido de você”. Só quem ama de verdade sabe cuidar do outro e sabe também corrigir de maneira correta, enquanto que as pessoas que não amam, só sabem magoar ou bajular. Às vezes até falam bem quando estão diante das pessoas, mas depois falam mal pelas costas.
Acolher a correção fraterna é sinal de santidade, sabedoria e grande humildade. Reconhecer os nossos erros permite-nos crescer, mas isso também aumenta a consideração e a estima que as pessoas têm por nós.
Quando alguém se humilha pelas suas faltas, facilmente apazigua os conflitos e dá satisfação aos que lhe são hostis (cf. Livro Imitação de Cristo).
São João Bosco dizia: “Se você não tem um amigo que corrija seus defeitos, pague um inimigo para que lhe preste esse serviço!”.
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto: Enzo Bianchi, Pe. Vincenzo L. Manuli, Ermes Ronchi e Missionari della Via.








