Local

De licença

Vizinho de andar, de apartamento, de parede;

Parede-e-meia, pela contiguidade do espaço.

Ele, vice de Dória, na Prefeitura de São Paulo.

Theozinho, médico residente do Albert Einstein.

Ambos, madrugadores, comprometidos em dar o melhor de si para a população paulistana.

E anônimos moradores do Morumbi Business, da Rua Doutor Chibata Miyakoshi.

No dia de sua posse, abriu mão da fugaz euforia do apoio dos áulicos, puxa-sacos mesmo.

Da cerimônia solene, instalada à força de discursos inflamados, na medida dos interesses das agremiações aliadas e dos bicões da política – com pê minúsculo! –  com tantos se matando para estarem visivelmente presentes no ato de sua investidura no cobiçado cargo, em pleno final de tarde de Dia de Ano, saiu, à francesa, do suntuoso Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo.

Não esperou pelo Chá, do próprio viaduto, que dá nome à região.

O relógio não marcava mais que 18h30. Lá estava ele, cheio de vida, decidido, de bermuda e camiseta e, segundo disse, de banho tomado. Enquanto os convidados não deviam ter notado a escapada do anfitrião, que tinha o que fazer.

Dois de janeiro. Na manhã fresca do primeiro dia útil do ano, chegou na frente de todos para marcar pontos para os mais necessitados, os que, dizia, repetidamente, mais precisavam dele!

Daí para frente, os senhores sabem o que aconteceu.

O vice da maior cidade do Brasil, pela ordem natural das coisas e porque João Dória é avesso a cumprir mandatos inteiros, mas aclamado nas urnas, eletrônicas, é verdade, o seu Chefe Maior, venceu situações e oposições no ano passado.

A juventude da Terra da Garoa o adora; os moradores das comunidades, da periferia o respeitam, mesmo diante de concorrentes de fala populista sustentada na foice e no machado e nas fake news. A classe média não estava nem ali, por estar ferrada nos cartões de crédito. A elite nunca foi contra ou favor dele. Muito pelo contrário!

Por nunca terem encontrado nele um ato indigno, um malfeito, atiraram o quanto puderam em seu vice. Eu disse vice?

Perderam, perderam feio. As costas do pai do Tomás eram largas. Tinha peito para mandar com autoridade e ser reverenciado por seus hábitos modestos.

O convocado ato ecumênico de ontem à noite, no saguão do Hospital Sírio-Libanês, acendeu o incenso que chegou às narinas do Senhor, com cheiro suave …

A família Covas, nesta manhã fria de outono, vê o câncer marcar dois a zero no placar.

É dia de domingo, tempo de descanso do Senhor e no Senhor.

Amanhã, ninguém dirá ‘segundou’!

Bruno Covas nos quereria ver no batente, na luta, na vida.

O seu Vice não o abalou. Nem o maculou. Jura, em lágrimas, que honrará o legado de seu exemplo de Executivo. Deus o ouça!

Théo Maia

(privilegiado que com Bruno Covas conversou, gostosa e responsavelmente, por duas vezes: na garagem e no corredor do edifício. Chamamos o elevador; ele subiu primeiro!)

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

3 Comentários

  1. Muito bom ver um comentário como este de uma pessoa próxima, de duas grandes pessoas que tinha essa conexão boa, honrosa e amigável. Meus sentimentos e espero que Deus o tenha e conforte o coração dos familiares. R.I.P

  2. É por essas e mais outras que haveremos de aprovar uma reforma política ampla e não as casuísticas, a cada eleição.
    Parabéns Théo pelo texto, conciso, lúcido, de quem já passou pela câmara, com louvor, pois até hoje é convidado, para discorrer, sobre temas relevantes. Pena que com este sistema político arcaico, tenha desgostado, por não concordar com as velhas práticas e deixado de nós representar!

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