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Conheça os 10 trabalhos científicos de 2022 com potencial de mudar a humanidade

Revista norte-americana Science lista os 10 trabalhos divulgados em 2022 com potencial para impactar a humanidade. O destaque é o supertelescópio James Webb, cuja missão é revelar, do espaço, os segredos mais escondidos do Universo

Os últimos 12 meses foram frutíferos para várias áreas da ciência. Da genética à astrofísica, pesquisadores de todo o mundo revelaram descobertas com potencial de impactar a humanidade. Uma nova tecnologia para vacinas, uma espécie de arroz que pode ser colhido o ano inteiro para reduzir a fome no mundo e a identificação de genes que aumentam a resistência contra vírus e bactérias são algumas delas. Como todos os anos, a revista científica norte-americana Science escolheu os 10 avanços mais significativos do ano.

O “mais mais”, segundo a equipe editorial da Science, é um instrumento que tem como principal missão nada menos que revelar os segredos mais bem guardados do Universo, como o processo de formação planetária: o supertelescópio James Webb. Foram duas décadas de desenvolvimento, US$ 10 bilhões de investimento e muitos contratempos. Porém, depois de uma viagem de 1,5 milhão de quilômetros, finalmente ele começou a mandar os primeiros sinais à Terra, em junho.

Diferentemente do supertelescópio que o antecedeu, o Hubble, o James Webb pode capturar luz infravermelha, incluindo a emitida pelas primeiras estrelas que surgiram. Poucos dias depois de o equipamento começar a mandar sinais para a Terra, os pesquisadores passaram a descobrir milhares de novas galáxias mais distantes do que qualquer outra documentada anteriormente — algumas, talvez, mais de 150 milhões de anos mais velhas do que a mais antiga identificada pelo Hubble. Além disso, os telescópios são capazes de coletar luz suficiente de objetos astronômicos — desde estrelas nascentes a exoplanetas — para revelar de que são feitos e como se movem pelo espaço.

Conheça, abaixo, as outras escolhas da Science:

DNA de 2 milhões de anos

As camadas orgânicas mostram vestígios da rica flora e da fauna de insetos que viveram há dois milhões de anos em Kap København
As camadas orgânicas mostram vestígios da rica flora e da fauna de insetos que viveram há dois milhões de anos em Kap København(foto: Professor Kurt H. Kjær/Divulgação)

No início deste mês, um artigo publicado na revista Nature surpreendeu por revelar as amostras de DNA mais antigas já identificadas: nada menos que 2 milhões de anos. Os 41 fragmentos microscópicos (foto) foram encontrados em argila e quartzo da idade do gelo, no norte da Groenlândia. O material genético foi usado para mapear um ecossistema de 2 milhões de anos, que resistiu a mudanças climáticas extremas. Por isso, os cientistas, das universidades de Cambridge, na Inglaterra, e de Copenhague, na Dinamarca, acreditam que a pesquisa poderá revelar pistas sobre a adaptação de espécies vegetais e animais a alterações drásticas de temperatura, tal como vem ocorrendo desde o século 20.

Resistência à peste

Pesquisadores britânicos escavam sepulturas de vítimas da praga: foram tantas mortes que houve uma rápida pressão seletiva
Pesquisadores britânicos escavam sepulturas de vítimas da praga: foram tantas mortes que houve uma rápida pressão seletiva(foto: Museum of London Archaeology/Divulgação)

Graças a material genético de pessoas que morreram há quase 700 anos, vítimas da peste bubônica, pesquisadores da OMS e do Instituto Pasteur, na França, identificaram genes que podem conferir resistência a micro-organismos patógenos, como a bactéria Y. pestis. Com avançadas técnicas de sequenciamento, os cientistas analisaram 200 restos mortais, descobrindo que, em apenas quatro anos, uma pressão seletiva da pandemia medieval sobre o sistema imunológico resultou em uma variante funcional que, com duas cópias, aumentou em 40% a chance de sobrevivência. Por outro lado, essas mesmas mutações parecem aumentar o risco de doenças autoimunes, como a de Crohn, algo que os pesquisadores vão investigar com mais profundidade.

Bactéria “gigante”

 This handout image released by Lawrence Berkeley National Laboratory on June 23, 2022, shows a 3D microscope image of giant bacteria Ca Thiomargarita magnifica. - Scientists say they have discovered the world's largest variety of bacteria in the mangroves of Guadeloupe. At up to two centimetres (three-quarters of an inch), "Thiomargarita magnifica" is not only around 5,000 times bigger than most bacteria -- it boasts a more complex structure, according to a study published in the journal Science on June 23, 2022. (Photo by Olivier GROS / Lawrence Berkeley National Laboratory / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / LAWRENCE BERKELEY NATIONAL LABORATORY / OLIVIER GROS" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS
This handout image released by Lawrence Berkeley National Laboratory on June 23, 2022, shows a 3D microscope image of giant bacteria Ca Thiomargarita magnifica. – Scientists say they have discovered the world’s largest variety of bacteria in the mangroves of Guadeloupe. At up to two centimetres (three-quarters of an inch), “Thiomargarita magnifica” is not only around 5,000 times bigger than most bacteria — it boasts a more complex structure, according to a study published in the journal Science on June 23, 2022. (Photo by Olivier GROS / Lawrence Berkeley National Laboratory / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE – MANDATORY CREDIT “AFP PHOTO / LAWRENCE BERKELEY NATIONAL LABORATORY / OLIVIER GROS” – NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS – DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS(foto: AFP)

Em junho, pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos EUA, revelaram, na revista Science, a estrutura de uma bactéria tão grande que pode ser vista a olho nu (foto). Ela é nada menos que 5 mil vezes maior que a média e, como comparação, os autores sugerem imaginar um homem adulto em contraste com o Monte Evereste. O micro-organismo, de 2cm, foi descoberto em 2009 em um manguezal de Guadalupe, no caribe. À primeira vista, não se sabia do que se tratava, até a análise genética apontar que era, de fato, uma bactéria. Mas, diferentemente das comuns, a Ca Thiomargarita magnifica, tem um DNA mais organizado, concentrado em uma estrutura com uma membrana. Caso seja possível cultivá-la em laboratório, a espécie poderá revelar muito sobre o mundo microbiano.

Arroz perene

CHINA OUT(FILES) This picture taken on March 14, 2012 shows the terraced rice fields in Hani, southwest China's Yunnan province.  A decade-long surge of the potent greenhouse gas methane threatens to make the fight against global warming even harder, top researchers warned on December 12, 2016. A likely culprit, the study concluded, is livestock production and agriculture (especially rice paddies), which together account for nearly two-thirds of manmade methane emissions. - China OUT / AFP / STR
CHINA OUT(FILES) This picture taken on March 14, 2012 shows the terraced rice fields in Hani, southwest China’s Yunnan province. A decade-long surge of the potent greenhouse gas methane threatens to make the fight against global warming even harder, top researchers warned on December 12, 2016. A likely culprit, the study concluded, is livestock production and agriculture (especially rice paddies), which together account for nearly two-thirds of manmade methane emissions. – China OUT / AFP / STR(foto: STR)

Com uma população mundial que ultrapassou os 8 bilhões em novembro, alimentar tanta gente pode ser um desafio. Em um estudo publicado na revista Nature Sustainability, cientistas da Universidade de Yunnan, na China, relataram o sucesso no cultivo de uma variedade de arroz perene, que não precisa ser replantado a cada estação. Isso reduz custos para agricultores — só de mão de obra, uma economia estimada em 60%, além de menos gastos com fertilizantes. A espécie, desenvolvida em 2016, foi testada em campo, em Yunnan (foto) e, segundo os pesquisadores, também é mais resistente a pestes e variações climáticas.

Desvio de órbita

Imagens mostram Dart se aproximando do asteroide Dimorphos, e as poeiras e os detritos gerados após a colisão a 22,5 mil quilômetros por hora: mudança no período orbital equivale a 25 vezes do que estava previsto
Imagens mostram Dart se aproximando do asteroide Dimorphos, e as poeiras e os detritos gerados após a colisão a 22,5 mil quilômetros por hora: mudança no período orbital equivale a 25 vezes do que estava previsto(foto: ASI/NASA/Divulgação )

Embora, por enquanto, a humanidade não precise se preocupar com isso, um dia a Terra pode ficar na rota de colisão com um asteroide. Mas, agora, já se sabe que é possível desviá-lo. Isso foi provado pela Agência Espacial Norte Americana (Nasa), com uma missão realizada em setembro. Os cientistas projetaram uma colisão provocada pela nave Dart entre o satélite Dimporphos e o asteroide Didymos (foto) para verificar se haveria mudança de órbita. No mês seguinte, a Nasa confirmou que o objetivo foi alcançado: houve uma alteração de 32 minutos, ou 4% no tempo da órbita. Em um comunicado, a agência afirmou que o sucesso é uma demonstração do empenho para salvar o planeta de “qualquer surpresa que o Universo possa nos enviar”.

Inteligência artificial

 This handout image released by Lawrence Berkeley National Laboratory on June 23, 2022, shows a 3D microscope image of giant bacteria Ca Thiomargarita magnifica. - Scientists say they have discovered the world's largest variety of bacteria in the mangroves of Guadeloupe. At up to two centimetres (three-quarters of an inch),

Fonte: CB

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