
O ano começou. Foram-se as festas e comemorações de Natal e de Virada de Ano.
Ficam as eternas preocupações e ações que se devem tomar com a saúde de todos.
Nada mais apropriado que, neste primeiro mês de 2026, ter-se o Janeiro Roxo, uma campanha nacional de conscientização[i] dedicada ao enfrentamento da hanseníase, uma doença infecciosa crônica, negligenciada e ainda altamente prevalente no Brasil.

Finalidade
Seu objetivo principal é promover informação, diagnóstico precoce e combate ao estigma, pilares essenciais para o controle da doença e prevenção de incapacidades.
Apesar de haver tratamento eficaz e gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a hanseníase ainda representa um importante problema de saúde pública, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social.
Conceito e causas
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, bacilo álcool-ácido resistente com predileção por pele, nervos periféricos, mucosas do trato respiratório superior e olhos.
A transmissão ocorre principalmente por vias aéreas superiores, através do contato íntimo e prolongado com indivíduos não tratados das formas multibacilares.
Manifestações clínicas

A apresentação clínica é variável, dependendo da resposta imunológica do hospedeiro, sim, do paciente. Os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- Manchas hipocrômicas, eritematosas ou acastanhadas com alteração de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil
- Dormência e formigamento em extremidades
- Espessamento de nervos periféricos
- Diminuição da força muscular
- Úlceras e deformidades em casos avançados
As formas clínicas são classificadas operacionalmente em: Paucibacilar (PB): até 5 lesões cutâneas e Multibacilar (MB): mais de 5 lesões cutâneas

Diagnóstico precoce
O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado na Atenção Primária, a UBS que fica mais próxima de você, por meio da avaliação dermatoneurológica. Quando disponível, pode ser complementado por baciloscopia.
O diagnóstico precoce permite a interrupção da cadeia de transmissão, a prevenção de incapacidades físicas, a redução do estigma social (preconceitos arraigados) e, o que é bom de se ver, a melhora da qualidade de vida do paciente.
Tem tratamento
O tratamento é feito com poliquimioterapia (PQT), disponibilizada gratuitamente pelo SUS: a) Paucibacilar: 6 doses em até 9 meses; b) Multibacilar: 12 doses em até 18 meses.
Após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença, reforçando a importância da adesão terapêutica e do acompanhamento contínuo pela equipe de saúde.
O papel da Atenção Primária
A Atenção Primária à Saúde é estratégica no controle da hanseníase, sendo responsável pela busca ativa de casos, avaliação de contatos intradomiciliares, diagnóstico precoce, início e seguimento do tratamento, educação em saúde, combate ao estigma e pela prevenção de incapacidades.
O vínculo longitudinal entre equipe e comunidade favorece a identificação precoce de sinais suspeitos e fortalece a adesão ao tratamento.
Janeiro Roxo: mais que uma campanha, um compromisso!
A campanha Janeiro Roxo reforça que hanseníase tem cura e que o maior inimigo ainda é o preconceito e a desinformação. Informar é um ato de cuidado e responsabilidade social.
Falar sobre hanseníase é promover dignidade, inclusão e acesso à saúde.
Conclusão
O enfrentamento da hanseníase exige não apenas conhecimento técnico, mas também empatia, vigilância ativa e compromisso com a equidade em saúde. A atuação dos profissionais da Atenção Primária é decisiva para mudar o cenário da doença no Brasil.
O Janeiro Roxo deve ser visto como um chamado à ação contínua: diagnosticar cedo, tratar corretamente e acolher sempre.
[i] Ilustrações: https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/2022/hanseniase/imagens/hanseniase e https://eurio.com.br/noticia/11838/acao-de-saude-no-bairro-da-penha-faz-rastreio-de-casos-de-hanseniase






