Religião

Coração Inquieto

Celebramos neste final de semana a Solenidade de Todos os Santos, que nos faz saborear a alegria de participar na grande família dos amigos de Deus ou, como escreve São Paulo, de “tomar parte na herança dos Santos na Luz”(Cl 1,12). Este mistério atualiza-se no sacramento do Batismo, mediante o qual a mãe Igreja dá à luz os “Santos”. A Liturgia convida-nos a compartilhar o júbilo celeste dos Santos, a saborear sua alegria.

A santidade exige um esforço constante, mas é possível para todos porque, mais do que uma obra do homem, é sobretudo um dom de Deus, três vezes Santo(cf. Is 6,3). Com o exemplo dos Santos aprendemos a amar, pois o amor implica sempre um ato de renúncia a si mesmo e é precisamente este gesto que nos faz felizes. As Bem-Aventuranças revelam-nos a fisionomia espiritual de Jesus e assim compreendermos o Mistério da doação e entrega de Jesus no Mistério de sua Paixão, Morte e da alegria da sua Ressurreição.

A existência humana, por sua natureza, está orientada para algo maior, que a transcende: “Meu coração estará sempre inquieto enquanto não encontrar a paz em Deus”(Santo Agostinho) Existe um anseio no coração da pessoa humana que a impulsiona na busca da felicidade completa. Aqueles que receberam o Batismo são chamados à santidade e têm os pés na terra, mas o coração está ancorado no Céu, morada definitiva dos amigos e amigas de Deus.

Às vezes até pensamos que a santidade seja uma condição de privilégio reservada a poucos, mas na realidade ser santo é tarefa e missão de todo batizado. Cristo nos escolheu “para sermos Santos e imaculados no amor”(Ef 1,4). No centro da Assembleia dos Santos, resplandece a Virgem Maria, “a criatura mais humilde e por isso mesmo foi assunta aos Céus, na Glória com Cristo. A Virgem Maria nos toma pela mão e nos leva a caminharmos com mais ímpeto pelo caminho da santidade.

A Virgem Maria, Rainha de todos os Santos, nos guie para escolhermos em cada momento a “vida do mundo que há de vir”, na fidelidade à Cristo, no amor a Deus e perseverantes no amor fraterno.

Fonte: Homiliário, um caminho de Fé antigo e sempre novo, Bento XVI, Papa Emérito

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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