Religião

Quem é o outro para mim?

Quem deposita a sua esperança e segurança na acumulação de bens inevitavelmente cai na indiferença e na surdez em relação à palavra de Deus. A nossa atenção aos pobres, no momento presente, decidirá o nosso destino eterno.

Deus cuida do pobre, da viúva, do órfão e do estrangeiro. O próprio nome do pobre na parábola de Lucas lembra isso: Lázaro, aquele que Deus ajuda. Enquanto, de fato, o rico permanece sem nome, porque sua incapacidade de reconhecer aquele que está à sua porta o torna desconhecido aos olhos de Deus. O grande perigo da riqueza é este: aquele de nos tornar cegos e indiferentes. Crescemos, evoluímos na técnica, na ciência, etc., mas os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. A Transformação do coração da pessoa humana é a única grande revolução verdadeira que também pode mudar a história. Se eu mudar, começo também a mudar o mundo.

Frente ao bem-estar florescente de poucos, visualizamos por outro lado a pobreza e a miséria de muitos. Tal desigualdade não é admissível. Desequilíbrio social indica um desequilíbrio moral. Se alguns se entregam à ‘boa vida’, outros são deixados à própria sorte. É importante valorizar o nosso hoje com a nossa atenção caridosa voltada ao próximo, especialmente aos mais necessitados, para evitar ficar depois em uma situação embaraçosa diante de Deus. O pobre Lázaro alcançou a bem aventurança do paraíso, enquanto que o Homem Rico da Parábola está em um lugar mais abaixo, ou seja, no Hades ou Sheol, lugar de escuridão, silêncio e esquecimento.

A injustiça representada por um estilo de vida preocupado com o próprio bem-estar e totalmente insensível aos sofrimentos e necessidades dos pobres: esta é a denúncia do profeta Amós e o pano de fundo da Parábola do Evangelho o Homem Rico e o Pobre Lázaro. Dos textos surge a pergunta: quem é o outro para mim? Jesus Cristo através desta Palavra adverte-nos para um grave risco: que a presença dos pobres possa chegar a se tornar um hábito e não provoque mais escândalo ou indignação entre nós. Vivemos alguns dias nesta terra: por que não buscar o essencial, o que realmente faz sentido? Por que não tentar praticar a solidariedade e a partilha, o amor e a compaixão? Por que não buscar a convivência do amor fraterno entre nós?

Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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