Religião

Alegrai-vos Comigo

Esta é a venerável tradição dos fariseus: Não era lícito estabelecer comunhão entre puros e impuros, entre justos e pecadores, entre filhos de Israel e pagãos. Sentar-se juntos à mesa para a refeição era para Jesus um evento cheio de significado, uma possibilidade fecunda de comunhão, conversão, reconciliação. “Qual de vocês, se tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da perdida, até encontrá-la?”.

O pastor não faz preferências, mas ama pessoalmente todas as ovelhas, porque conhece o nome de cada ovelha (cf. Jo 10, 3-4.14) e aos seus olhos cada ovelha tem um valor único e inestimável! Quando você ama, você não segue os cálculos aritméticos sobre a quantidade! Por isso, “é preciso que redefinamos a nossa ideia sobre Deus, ou seja, passar da concepção de um Deus severo e ditador que castiga, que nos olha lá do céu para ver onde erramos para depois nos punir, a uma imagem de um Deus de misericórdia, um Deus que é Pai e que nos ama” (Pe. Claudio Luigi Fasulo).    

O pastor não se contenta em esperar que a ovelha volte, mas vai em busca dela, porque toda ovelha, se for amada, deve ser procurada, caso se encontre perdida. “Senhor, de tanto procurar-me, vós esgotado pelo cansaço, sentastes à beira do caminho”(Dies irae). Sim, o pastor da parábola é Deus, que continua a pensar naqueles que se perderam, naqueles se afastaram dele por escolha ou por engano, e Ele não terá paz até que a ovelha amada retorne à sua intimidade. “A verdadeira religião consiste, portanto, em entrar em sintonia com o coração de Deus, que é rico em misericórdia. Neste nosso tempo, a humanidade precisa que seja proclamada e testemunhada com vigor a misericórdia de Deus” (Papa Emérito Bento XVI).  

 “Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha, aquela que estava perdida”(Lucas 15,6). Esta festa é antecipação da festa que acontece no céu, porque até Deus se alegra quando um pessoa é encontrada por ele e também se deixa encontrar. E cuidado: o pecador se converte porque Deus o procura por primeiro, o encontra, o carrega nos ombros e o leva ao Rebanho, isto é, para a Igreja. É Deus mesmo que salva na gratuidade do seu amor! O apóstolo João revela-nos: “O amor consiste nisto: não fomos nós que amamos a Deus, mas ele que nos amou primeiro” (cf. 1 Jo 4, 10.19). A misericórdia coincide com a conversão, como dirá o Apóstolo Paulo: “A mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia” (1Tm 1,13). Deus usa de Misericórdia para com cada um de nós.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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