Vaidade das vaidades
Leituras Bíblicas de Referência: Ecl 1,2;2, 21-23; Cl 3, 1-5.9-11; Lc 12,13-21)
Deparamo-nos no início do livro do Eclesiastes com um frase programática: ” Vaidade das vaidades, diz Qoèlet, vaidade das vaidades: tudo é vaidade… “. Em hebraico, o termo vaidade refere-se propriamente a “fumaça”, o vapor que emite nossa respiração em um ambiente frio. Você a vê por um momento, depois ela desaparece imediatamente. Este termo refere-se a todas as realidades efêmeras e inconsistentes. O ser das coisas e das pessoas é enganoso: dá a impressão de solidez, mas na realidade é apenas uma ilusão. A vida do ser humano resume-se em sofrimentos e dores: esta vaidade que é a própria existência, não passa de um absurdo.
Diante desta realidade passageira e fugaz, recebemos um convite inesperado: ” Busque… volte seus pensamentos para as coisas do alto “. Esses dois imperativos não levam a uma fuga do mundo aqui embaixo. As “coisas do alto” indicam o novo centro da vida cristã: este centro é agora o Cristo glorificado (sentado à direita do Pai), para o qual os batizados devem se orientar com um duplo movimento convergente: uma busca contínua (buscar!) e uma nova maneira de pensar, julgar e decidir (pensar), centrada em Cristo, e não mais nas “coisas da terra”, ou seja, àqueles elementos mundanos que escravizam o ser humano. Trata-se de uma inversão radical de valores, e não de desapego dos deveres terrenos.
O que as pessoas mais querem nesse mundo é descansar, comer, beber e desfrutar da vida. Mas Jesus nos adverte: “Mesmo que alguém tenha em abundância, sua vida não depende do que possui”. O homem rico “Raciocinou consigo mesmo “. Esse homem raciocina consigo mesmo porque vive diante de si mesmo, fechado na esfera de sua auto-referencialidade. «Então direi a mim mesmo (aqui ainda está falando só para si mesmo) minha alma , você tem muitos bens à sua disposição, por muitos anos; descansa, come, bebe, desfruta». Este homem trata a vida como sua, como se fosse sua propriedade. É a ilusão da posse da vida e dos bens, e isso nos traz certamente uma promessa vazia de felicidade. A nossa vida não nos pertence, a vida é um dom de Deus.
Em resumo, o Dinheiro é importante para a nossa subsistência, mas não deve ser uma obsessão pela ganância. O que é mais importante? O ser ou o ter?
Fonte: Padre Jesús GARCÍA Manuel.








