“La booorsetta di mamà”

Inhaim?
Depois que eu voltei pro interior, a coisa tá preta. As faxinas diminuíram e eu precisei lavar roupa também (tem gente eu não tem máquina porra nenhuma).
Moral da história: tava sem grana e dependurando as contas no bar do Evair. Antes eu pagava as cachaças tudo à vista. Era uma talagada e o dinheiro estava no balcão.
Até que tive uma ideia: alugar quarto no meu barraco para aumentar a renda, junto com o Tedão, meu burro superdotado, minha fofa Nininha que late sem parar, minhas galinhas e um galo, um ganso e um papagaio Haddad, que eu mudei o nome dele depois que aquele pedaço de homem queria ser presidente.
Resolvi por um anúncio no jornal da cidade para achar um hóspede por temporada. O anúncio era assim:
Alugo por temporada quarto de 2 metros x 2 metros, telha de amianto, cama “kingüe” (nem sei o que é isso, mas vi nas Casas Bahia e achei o maior chiquê), banheiro coletivo, um banho por dia, sabonete e “dentifrício” próprio, colchão de mola misturado com palha, café da manhã só o preto (o café), papel “ingiênico” Primavera cor rosa, daquele que lipa, coça e penteia ao mesmo tempo, geladeira “drupex” pra guardar a comida própria. Pode usar o fogão Semmer (uma boca só funcionando), o forno nem pensar porque um rato comeu o revestimento e mijou dentro dele (quando liga é uma carnoça).Valor: 400 “real” por mês.
Deu certo. Bateu no portão de latão um hóspede. Era um italiano de uns 75 anos, chamado Giacomo Torrrrrrrrrrrrnatore, que falava português tudo enrolado. Disse que era chefe de cozinha e era a cara do Tiririca – o sorriso igualzinho. Acertamos. Na primeira janta, o homem comeu dois “Miolo” e três de “hambúrgui”. Comia que nem um condenado o desgraçado e falava mais do que a nega do leite. Tudo enrolado.
Pobre sofre…
Dissse que fazia bruschetta (pra mim é de comer, mas outra coisa), um tal de porpetta e porpettone, que experimentei um dia e nada mais é que um bolinho de carne. Combinei umas pingas com torresmo com a Lolosa de noite. Ela me levou 200 real que me devia, empréstimo que fiz a ela usar no “Trecos” e Cabaços com um homem. Ela bancou o macho. Sentamos na mesa da cozinha e dá-lhe pinga. Ela pôis o dinheiro em cima da mesa. O Giácomo foi pro quarto, depois de estar tontinha, Lolosa foi-se e eu fui dormir o sono da beleza. Sono de tonto é pesado. Acordei com o meu ronco.

Fui pra cozinha tomar um “golo” de café e cadê o dinheiro? Liguei pra Lolosa: “mulher, tu me paga e pega o dinheiro de vorta? Lolosa jurou para o santo da putaria que não tinha feito nada. Eu fui no quarto do Giácomo e ele tinha levado as blusas furadas e tinha deixado só um frasco de desodorante vazio. Me roubou o disgraçado. Fugiu com os 200 real…
Pra nunca mais.










moçaaaaaa gostei