O Caminho para Jerusalém

Jesus da Galileia parte, com alguns discípulos, para Jerusalém para a festa da Páscoa e para lá chegar opta por passar por Samaria, mas poderia também ter optado por contornar o Rio Jordão. Jesus “tomou a firme decisão de partir para Jerusalém “(Lc 9,51). Jesus envia alguns discípulos à frente para se prepararem para o pernoite. A jornada não começa da melhor maneira: é rejeitada pelos samaritanos.
E por que não acolhem Jesus e seus discípulos? Os samaritanos não concordavam em adorar em Jerusalém, mas construíram um santuário no monte Gerizim. Devido a este fato isso tratavam mal os peregrinos que iam da Galiléia a Jerusalém, atirando-lhes até pedras. Jesus será um homem eternamente rejeitado. Foi no começo, agora e no fim.
Incompreendido pela família, pelos líderes religiosos, pelo povo, pelos próprios apóstolos que fugiram quando Jesus mais precisava deles. O fracasso faz parte da vida e até o Filho de Deus o experimentou. “As raposas têm suas tocas e as aves do céu seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça“(Lc 9,58). Quem segue o rabino de Nazaré não tem uma vida confortável, não busca a Deus para se sentir seguro, mas sabe que terá que enfrentar pelo caminho a precariedade.
“Deixe que os mortos enterrem seus mortos; em vez disso, você vai e anuncia o reino de Deus”(Lc 9,60). Enterrar o pai era a obrigação mais sagrada de um filho. O pai, na cultura judaica, representa aquele que transmite a tradição, os valores do passado, o modelo de comportamento. Honrá-lo significava perpetuar sua tradição. Jesus quer, com isso, sacudir nossos corações adormecidos. O Mestre exagera para indicar que o discípulo tem prioridades muito mais urgentes, ou seja, que o Reino de Deus tem precedência absoluta em sua vida.
“Ninguém que põe a mão no arado e depois volta atrás é apto para o reino de Deus” Quantas pessoas conheçemos que vivem de saudades do que lhes resta e não se permitem o gosto pela novidade. A vida cristã não tolera hesitações e nostalgias estéreis, exige coragem. O discípulo não se refugia no “sempre se fez assim”, mas olha para frente, abandona o passado e olha mais além. Não se preocupa em preservar o existente, em proteger um privilégio, mas anuncia profeticamente coisas novas. Isso também está inscrito em nosso corpo: os olhos estão voltados para frente e não para trás.
Fonte: Paolo de Martino








