Religião

A vida de Oração, revigora a Fé

Abraão partiu para uma terra que não conhecia, confiando em Deus que lhe havia prometido um filho. Mas o tempo passou e a promessa parecia não se cumprir. Abraão experimenta a incerteza, a escuridão da fé devido ao silêncio prolongado de Deus. Mas agora o próprio Senhor toma a iniciativa e lhe fala: Olhe para o céu e conte as estrelas (v. 5). Apesar da esterilidade, ele terá filhos como as estrelas do céu. Abraão creu mais uma vez no Senhor… (v. 6). É o “amém” da fé proclamada pelos profetas. Abraão é o pai da Fé. O que torna o homem justo não são as obras da carne – confiar em si mesmo e em suas próprias possibilidades – mas é a fé, como disposição de se entregar à obra que Deus faz em nós, ao seu projeto de salvação.

A presença de Deus é tremenda e fascinante: “Cristo transfigurará nosso corpo miserável para conformá-lo ao seu corpo glorioso… Amados, minha alegria e coroa, permaneçam assim firmes no Senhor”(cf. Fl 3,17- 4,1). O fracasso dos cristãos é o abandono da cruz de Cristo. Mas o caminho da cruz é o único que leva ao céu: nossa cidadania está de fato no céu(v. 20).

Jesus conversava com Moisés e Elias sobre o êxodo que Ele terá que  fazer. Um êxodo não é um fim, mas uma Páscoa, uma passagem do sofrimento para a alegria, deste mundo para o Pai, uma passagem que dirá ao mundo que Jesus sempre viveu em união com o Pai. Os discípulos não estão todos lá, mas apenas Pedro, João e Tiago (v. 28). Para dar um testemunho legítimo bastam três pessoas.

Uma nuvem veio e os cobriu com sua sombra (v. 34). A nuvem é um sinal da presença de Deus, como no deserto e no Monte Sinai. “Este é o meu Filho, o Eleito (= escolhido), o Ungido do Pai, palavra que evoca também a figura do Servo de Javé (Is 42,1). O Messias está ligado ao sofrimento e à cruz. Para contemplar a glória de Deus e participar da sua consolação é preciso subir ao monte mais elevado da oração.

Jesus e os seus discípulos, depois da extraordinária experiência do Monte Tabor, retomam o seu caminho na descida da montanha, talvez com o impulso ainda mais redobrado, pois agora o caminho é cada vez mais claro, porque está orientado para Jerusalém e para a cruz. Este caminho de agora em diante será vivido com um coração transfigurado pelo encontro com Deus. De facto, a cena da Transfiguração revela-nos a glória e a luz em que Jesus soube viver até o fim, na fidelidade e na perseverança, na escuta da Palavra e na obediência ao Pai. Ele revela não apenas a glória e a luz que o esperavam no final da jornada, mas a glória em cuja luz ele mesmo pôde caminhar rumo à Páscoa. Enquanto tudo ao seu redor se escurecia, ele tinha a fonte de luz dentro de si, e essa luz tão íntima, secreta e gloriosa continuava a iluminar seus passos mesmo em meio à noite, pois eis que também Ele vigiava em oração e conversava com as Escrituras. Quem não reza e não ouve a palavra de Deus, como inicialmente acontece com Pedro, permanece na noite e é oprimido pelo sono que entorpece a alma.

Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto, P. Jesús GARCÍA Manuel.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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