“Sem mim nada podeis fazer”

Para conhecer bem uma pessoa, é preciso primeiro avaliar sua fala, seu modo de pensar e suas ações, sem nunca excluir uma dose certa de prudência, porque só Deus conhece a vida íntima e secreta de cada um.
Não há verdadeira espiritualidade cristã senão na prática dos mandamentos e, mais ainda, na total adesão à novidade do Evangelho. O ensinamento de Jesus, portanto, vai do coração aos atos externos e destes atos externos ao interior do coração, ou seja, a conduta externa deve coincidir com a intenção interior, que procede de um coração renovado e bom.
Ao “ouvistes o que foi dito”, Jesus propõe, de forma revolucionária: “mas eu te digo”, que ao mesmo tempo cumpre e transforma a lei antiga. Em Cristo podemos viver na sinceridade e na verdade sem medo e, assim, cada um pode ser aquilo que realmente é, não somente pelas palavras que diz, mas pelas obras que faz, ainda que por causa disso, tenha que enfrentar críticas pelo fato de demonstrar aquilo que realmente é.
É notável a insistência de Jesus na necessidade de centrar-se na interioridade do homem, isto é, no seu coração, e de superar a mera exterioridade, típico dos fariseus, que muitas vezes o próprio Jesus denuncia (Mt 5,20; 12,2-7; 15,1-20; 23,2-8 etc.).
De fato, em seu coração, entendido biblicamente, estão em jogo as decisões mais profundas das pessoas, aquelas que determinam a orientação radical da vida. Se estivermos profundamente enraizados em Deus e na sua palavra, certamente iremos produzir bons frutos. O coração é assim convertido na fonte de onde fluem atitudes, palavras e ações verdadeiramente ‘boas’.
De um coração que ama seriamente, isto é, que deseja verdadeiramente o bem, só o bem pode de fato fluir. Tanto que Santo Agostinho dirá: “Ame e faça o que quiser”. Jesus foi a boa árvore por excelência, que produziu os melhores frutos da vida para toda a humanidade. Se cada um de nós, decididamente, seguirmos as pegadas de Cristo, certamente o nosso trabalho e a nossa missão não será em vão, conforme o desejo de Paulo (1Cor 15,58), porque produziremos os mesmos frutos que Cristo produziu, pois Ele mesmo diz: “Sem mim nada podeis fazer”.
A luta do cristão neste mundo não é vã e a esperança da ressurreição é uma pedra angular da nossa fé cristã.
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto, Pe. Jesus Manuel Garcia.








