“Agora sou poeta! Virei Será Serafina”

Última parte
E a luz não ia embora. Eu só fazendo poemas. Perdendo faxinas porque o pó tirava minha inspiração. Meia com chulé matava meu “eu interior”. Segui fazendo versos. Para continuar a primeira parte da semana passada, sigo com os últimos versos que escreverei na vida:
“Quando eu era pequena/
Minha mãe me dizia/
Filha, casa com homem rico?
Não casei, fiquei pra titia e até hoje pago micaço/
Sou chamada de sapatão/
Que vive fazendo bola de sabão”.
“Me lembro do tempo de escola/
A gente colava na prova/
A diretora quebrava régua de pau na nossa cabeça/
E a gente tomava sopa/
E fazia mais arte que era para
Ser expulsa/
E se livrar das chatas das professoras/
“Nosso amor é mais profundo do que beijo na bunda/
“Já não sei quantas folhas gastei/
Se sofri ou se chorei/
Só sei que quando me lembro
Da nossa união/
Me dá um comichão/
E um aperto no botão
“As cabras pastam suaves no campo/
E eu me lembro da última vez que te vi/
Você, siliconada, parecia uma vaca/
Com as tetas para cima/
Sendo que suas tetas apontavam para baixo/
Oh, como sofri/
Porque quandoo te tinha, tu eras/
Feia, de bunda caída, que mais parecida pizza brotinho/
Pior: com lombinho”
“Gosto de estar sozinha/
De tomar minhas cangibrinas/
Gosto de sertanejo e de música antiga/
A minha preferida é A Pulga e o Percevejo”





