“Os proseio anda muito difícil hoje”

Inhaim?
Levei um tombo perto do Correio e um mocinho desses magrinhos de boné, tipo frango, me acudiu e falou: “foda isso aí”. E eu: “Putz, grila”. Depois encontrei com um casalzinho. Ele para ela: “Aquele filme não deveria estar no Netflix. A gente quer diversão, não complicação”.
E eu pensei: “pegou o bonde andando e quer sentar na janelinha”. Mas, meu Deus, tudo mudou. O modo de falar mudou da minha época de Ternurinha para cá..
Entrei em crise existencial. Fui pra casa, dei capim pro Tedão.. Ia receber visita, uma prima que mora em São Paulo, Leninha, que é secretária na capital, só usa Dulce Cabana, vive de batom vermelho, unhonas de Madame Mim, ganha dois salários e frequenta loja de R$ 1,99 lá no Brás. Mas é chique. Leninha chegou de táxi no meu barraco, marcamos uma gororoba regata a mé pra noite: eu, ela e a Lolosa. A gente ia numa festa chamada “Deixa o Cuca Aí”.
Chegou a hora. Comprei pé de porco para tira-gosto, a cangibrina e ficamos as três proseando. Eu encabulada do tanto que mudou o jeito de falar do povo para a nossa época passamos as três a lembrar as gírias do nosso tempo:
- Coisa boa – Balacobaco
- Imagem velha – Do arco da véia
- Cara bonitão – Pão
- Pombas – nasceu antes do “porra” ou do “caralho”
- Pra coisas legais – Supimpa
- Improviso – Sambarilove
- Esperança de entender alguma coisa – A ficha cair (nem orelhão tem mais)
- Uma coisa boa 100% – Ora, bolas
- Ideia errada – Ideia de Jerico
- Bebidinha no fim do dia – Birinaits
- Ficar puto com alguém – catar coquinho (substituto do vai à merda)
- Negócio chato – Chato pra dedéu
- Pedir para repetir alguma coisa – Volta a fita
- Para falar com alguém – Fala, bicho
- Sujeito elegante – Boa pinta
- Não entender nada – bulhufas
- Amigo – Chapa
- Pessoa chata – Chato de galochas
- Bom ou ruim ao extremo – é de lascar
- Arrasar – Estourar a boca do balão
- Fácil – Fichinha (saltar de bug jump é fichinha)
- Preocupado – Grilado
- Acredite – Pode crer
- Bom – Supimpa
- Dinheiro – Tutu
- Foi muito bom – estourou a boca do balão
- Tudo certo – Chuchu beleza
- Mulher gostosa – belezura
- Sem dinheiro – Matando cachorro a grito
- Traidor – Amigo da onça
- Mulher difícil – Parada dura
- Quem sobreviveu a um tiroteio – duro na queda
- Muita gente – Cambada
- Enrolação – lero-lero
- Apaixonei – Gamei (Em Ibiraci, uma cidadezinha do interior, tinha uma placa na saída – “Conheci Ibiraci e gamei”
- Duvidar – Duvide-o-dó
- Longe – no quinto dos infernos
- Alguém agitado – Serelepe
- Está limpinho – Está tinindo
- Ficou louco? – Está achando que berimbau é gaita?
- Frescura – Chorumelas
- Será possível ?– Será o Benedito?
- “Pelo amor de Deus” – Pela madrugada
- Algo fácil – É batata
- Pessoa que ofende a mãe – “Fidumégua ou fidumaégua”
- Fumar maconha – “Dar um tapa na macaca”
- Idiota, burro – Mocorongo
- Fazer xixi – Tirar água do joelho
- Comer até não aguentar mais – Comer até o cu fazer bico
- Lero-lero – Papo aranha
- Show de bola, tá ligado? – Maior brasa, mora?
- Muito longe – Na caixa prego
Concluímos que estamos muito por fora, as três, mas não desanimamos. A gente vai continuar usando “onde fui amarrar meu bode”, “firme na paçoca”, “sebo nas canelas”. Antes de sair pra festa, já chumbadas, Leninha falou que a gente é igual vaso de uma tal Dinastia Ming: é velho, mas vale muito….









Eita! Que ri muiiittooo…. quase “arrebentei” de tanto rir!!!!