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“Meu Réveillon na praia”

Inhaim?

Esse Réveillon vai ficar pra história. Sofri naquele “shops” igual a uma condenada e agora quero torrar os 800 paus. A gente andava uns dois quilômetros para chegar numa praia mais limpinha, que dava para entrar no mar, porque a Praia da Vera Cruz era o peba. Só entramos no primeiro dia. Me deu “frieira”, sabe aquela feridinha no meio dos dedos que coça e dói pra cacete? Pois é. Todo dia a turma pegava uma caixa de isopor, enchia de litrão, comprava pão com “mortandela” num mercado fuleiro e ia pra praia.
Ficamos os seis dias debaixo de uma barraca. Parecia que tinha um sol para cada cabeça. Eu comprei um biquíni bem sensual. Verde limão, com a calcinha de franjinha, mostrando a volúpia. O bustiê era uns 5 números menor. Quando eu entrei na água, veio uma onda, o bustiê filho da mãe desamarrou e eu fiquei com os “mamás” de fora. “Lolosa, me acode, tô pelada”. A Lolosa veio e amarrou o trem de novo. Fiquei esperta, não ia ficar perto de onda mais, só no rasinho.
O Uóstim, meu sobrinho, que deu trabalho. Tudo ele queria: espetinho de queijo coalho, espetinho de camarão, até caranguejo vivo ele queria. “Não tem dinheiro, não, moleque, come pão com mortandela, parece morto de fome”. “Ô, Tia Lulu, tô em fase de crescimento”, reclamava o Uóstim. “Ô, caraca, moleque, quando a gente era pequena nem pensava em praia nem podia pedir nada. Tá pegando o boi com o rabo e tudo. Aproveita enquanto o Brás é tesoureiro”, gritava com o moleque.
Mas o que “nóis” gostamos mesmo foi de uma pinga curtida no coco. Um mel. Todo dia a turma ia encher a cara. Ficava tontinha. Rolava na areia. Esticava no sol igual uma sapa (o bicho). Queria ficar com marquinhas para dar uma de boa perto das “patroa”.

Ja estou sentindo o cheiro Da Sidra Cereser no seu reveillon - Sexual  Picard | Make a Meme

Chegou a virada. “Levamo “uma champanha” Sidra Cereser para a praia para estourar à meia noite. Só não vestimos branco. Ficava caro comprar roupa branca. Deixa pro ano que vem, mas comprei uma calcinha vermelha nova pra dar sorte no amor. Queria dar bastante em 2022. Chegou a virada. Fizemos contagem regressiva e pulei sete ondas…
Bom, fiz de tudo. Se o ano que vem não for bom eu “rasgo meu botão”. Agora era hora de voltar para casa e torcer para arrumar bastante faxina. E “homi” porque tô “véia”, mas a periquita tá acesa.

Feliz ANO NOVO!!!!

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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