Lulu do Canavial e o Milagre de Natal Parte VI

Inhaim?
Esse bico de assistente do Papai Noel está me deixando doidinha. Desestresso na manguaça, mas tem que dia que não dá. Essa meninada nojenta, Papai Noel do caray. Depois que dei para o Letsgo daqui, em pé, fiquei puta da vida.
Cheguei para trabalhar, com as olheiras lá na “cacunda” e quem me aborda na porta de entrada do “shops”? O Letsgo
“Vou te apresentar os meus amigos seguranças”. Pensei: tô feita, a macumba que a Joana D’Arc tinha feito, amarrando meu nome dentro da boca do sapo surtiu efeito. Tá chovendo “homi” na minha horta. O bando de segurança tinha cada braço grosso, igual o Popeye, uns marrom cor de jambo, uns branquelas igual leite azedo, uns bonbons igual Serenata de Amor. Cada coxa, cada peitão cheio de cabelo, cada grúteo” (aprendi essa palavra no primeiro dia que fui na academia queimar as banhas). Os “grúteo” redondo, igual uma bola. Tudo e uniforme. “Quepi”. Eu adoro.
Um deles me chamou a atenção. Seu apelido era Rios por causa do nome “Meu nome é Eter Sulfúrico Amazonino Rios”. Pqp, nome mais feio do que bater em mãe por causa de mistura. Percebi que ele agradou de mim também. Conversa vai, conversa vem, ele me chamou num cantinho do estacionamento. Logo pensei: Vou botar um par de chifre no Letsgo. Aquela trepada atrás da “railluxi” ele vai me pagar caro.
O Rios veio com aquela lábia, me chamou de gata, de meu doce, de minha princesa. “Vamos juntá as nossas solidões”. Arrepiei até o último fio do dedinho esquerdo do pé direito. Não pensei duas vezes. Topei na hora. Marcamos o encontro para depois do expediente. Depois que o surdo do Papai Noel tivesse pitado uns dezesseis “paiêro” e a molecada me deixado louca. Mas sou uma mulher resistente. Ele me disse: “vou te levar num moter”. Meu sonho. Sempre via aqueles filmes pornôs (também sou gente) aquele luxo. E Yeah, yeah (aquelas mulheres só sabem falar isso, não tem “proseio” em filme pornô).

Mandei um uatis pra Lolosa na hora: “Mulher, ganhei na loteria, vou conhecer um moter. Meu sonho”
Lolosa, invejosa, falou: “cuidado com esses “homi. Usa camisinha”.
Seria na noite seguinte, depois do expediente. Peguei um circular e fui pro centro comprar “langerri”. Em “shops” só tem coisa cara. Só pra rico, pobre só lambe com a línguas na testa. Nas lojas de R$ 5 eu faria a festa. O ônibus lotado, um calor de porra, fui em pé. E olha que eu tenho um Corcel 74. Valia a pena o sacrifício.
Comprei uma cinta liga com uma rosa de “banda”. Ia ser “barbantinho cheroso”, com plumas na frente. Vermelha. “Corselett” preto cheio de colchete igual a cinta modeladora de assistente de Papai Noel. Colar de puta pra dar um charme. Perfume Alfazema e levaria a minha sandália branca de salto rolha.
Trabalhei que nem uma condenada. Chegou o grande dia. Combinamos no estacionamento do “shops”. Rios chegou numa Varianti abacate, com um toca-fitas tocando Amando Batista: “princesa , a deusa dos meus pensamentos”. Foi mágico. “Homi” fino.
O “moter” “Thomás Turbano – bom pra quem tá duro”, cheio de luzes, mais do que a árvore de Natal. A Variant parou numa casinha e a mocinha feia entregou as chaves. Entramos, quando Rios acendeu a luz eu não acreditei: Uma cama redonda (nunca tinha visto na vida, espelho no teto (será que e pra pentear cabelo), um monte de coisas que eu nem posso falar, mas eu vi no sex shop. Me jogou na cama de lençol rosa choque. O “homi” tava tão precisado que a cama começou a girar. Não aguentei: “gorfei”. Foi um fiasco, mas eu conheci um “moter” e não dei em pé igual galinha, como na Universal, em Aparecida, para o Letsgo no estacionamento do “shops” e ainda pus chifre. Tava vingada.








