Preconceitos mascarados

Olá, caros leitores. Hoje, trago para vocês uma percepção minha sobre preconceitos, racismo, sexismo e classismo. Apesar de tantas campanhas em prol da eliminação disso tudo, ainda sim há muito preconceito, principalmente de forma disfarçada, mascarada.
O racismo refere-se a uma crença ou tendência, que consiste em considerar que as características intelectuais e morais de um dado grupo são consequências diretas de suas características físicas, biológicas, morais e culturais, ou seja, na imaginação de um racista, o preconceito não se trata apenas de um grupo definido por traços físicos; envolve traços culturais, linguísticos, religiosos etc., que considera naturalmente inferiores ao grupo ao qual ele pertence.
Pautado na presunção de que existem raças superiores e inferiores, o racismo é complexo, sistêmico, violento. Penetra e participa da cultura, da política, da economia, da ética.
Ademais, a “cultura do racismo” orienta consciente e inconscientemente nosso modo de perceber, agir, interagir e pensar. Socialmente falando, propaga, em doses contínuas, a perpetuação do privilégio do grupo racial branco, configurado como padrão de beleza e confiabilidade, ou seja, por meio de processos econômicos, culturais, políticos e psicológicos, os brancos progridem à custa da população negra e dos discriminados, sendo um dos principais causadores das desigualdades permeadas no país.
Deve-se também pensar no sexismo e no classismo. A diferença é que o racismo é pautado pela crença de que há raças superiores e inferiores!
Já o sexismo baseia-se na convicção que há uma identidade de gênero superior, a do homem heterossexual, e que as demais são inferiores, o que inclui as mulheres, lésbicas, gays, transexuais, travestis, intersexos, queers, dentre outras; enquanto o classismo ou a discriminação de classe tem como base a crença de que em qualquer âmbito da vida os ricos são superiores aos pobres.
Pensando no racismo e no sexismo, ocorrem e se expressam em diferentes situações, como, por exemplo, na forma de morrer, na possibilidade de estudar, de ter ou não trabalho e moradia dignos, na possibilidade de casar e de escolher com quem casar sem julgamentos. Todas essas formas de atitudes de preconceito causam sofrimento psíquico e impedem o desenvolvimento da condição social.
Certo é que, quando falamos de racismo, não significa desconsiderar que há pessoas brancas que o sofrem. Não se trata de mensurar o imensurável. Não há dor maior ou menor; cada dor é intensa na sua singularidade. Mas cabe ressaltar que o racismo produz um sofrimento específico, histórico e coletivo.
Saliento que, independentemente do tipo de preconceito (racismo, sexismo ou classismo, para ficar apenas nos que pincei para o presente artigo para a Folha de Franca), há a causação de dor, sofrimento psíquico, podendo levar ao adoecimento físico e mental. Afinal, exige-se um esforço enorme para “ter que ser o (a) mais”, causa um “vir a ser” interminável, afetando vidas e projetos, mudando percursos de vidas inocentes, que não tiveram a oportunidade de escolher ou não passar por essa situação.
As diversas formas de preconceito fazem com que muitas pessoas vivam em constante estado de alerta, tentando proteger-se de um terror que pode vir a qualquer hora e em qualquer lugar, visto que não há pausas nem territórios seguros. Talvez nem mesmo no sono e no sonho.
Todo o objetivo de minha parte, e acredito falar pelos colegas da Psicologia, fala com a importância em incluir e priorizar a terapia, a sua saúde mental, essencial para a sobrevivência da vítima de preconceito, para saber lidar com os conflitos e diversidades que enfrentamos ao longo de nossa existência, e para contribuir para o aumento da autoconfiança, da autoestima.









Excelente matéria!
Parabéns!
Obrigada Gonzaga Oliveira.