Diálogos Sustentáveis

Bastidores da moda em pauta: um debate sobre direitos trabalhistas no polo de Franca

Por Natalie Ferreira

No dia 22 de Abril de 2026, o Auditório da Faculdade Dr. Thomaz Novelino (FATEC Franca) foi palco do debate “Fashion Revolution Franca 2026: Precarização e Direitos Trabalhistas na Indústria da Moda”. Integrante da programação global da Semana Fashion Revolution 2026, o evento questionou até onde a promessa de sustentabilidade chega ao chão de fábrica dos setores calçadistas e têxtil em nossa cidade.

A mediação foi conduzida pela Prof.ª Ma. Natalie Ferreira (coordenadora de Gestão da Produção Industrial na FATEC durante esse período) e contou com a palestra da Mestra em Linguística e bacharela em Direito, Ana Flávia de Souza Carvalho Pereira.

Prof.ª Ma. Natalie Ferreira e Ma. Ana Flávia Carvalho

O evento “Fashion Revolution Franca 2026: Precarização e Direitos Trabalhistas na Indústria da Moda” propõe uma reflexão direta sob o lema nacional “A Moda Consciente é uma Missão Coletiva”. A discussão colocou em pauta as fragilidades sociais que muitas vezes ficam ocultas por trás das promessas e discursos de sustentabilidade do setor.

Um dos eixos centrais da noite foi a análise da realidade do arranjo produtivo de Franca e região, como o fenômeno da fragmentação do trabalho, que se estende das grandes instalações industriais aos pequenos ateliês, bancas de costura e oficinas domiciliares.

De acordo com a palestrante Ana Flávia Carvalho, essa descentralização muitas vezes transfere o risco do negócio para a ponta mais vulnerável da cadeia: o trabalhador informal ou terceirizado. Em suas palavras:

Nossa intenção é a de explorar o contexto do trabalho fragmentado, onde o trabalho sai das grandes fábricas e passa a se refugiar nas bancas, transferindo o risco do negócio ao trabalhador. Verificamos que muitas vezes o trabalhador que costura em casa ou em bancas atua sem registro, o que nos abre a discussão para o trabalho precarizado. Qual os moldes desse trabalho precarizado e qual a diferença que se dá em relação ao trabalho análogo à escravidão.”

O debate explorou também a invisibilidade e informalidade no setor e os impactos da falta de registro e de garantias trabalhistas na produção em casa ou em bancas. Também foi abordada a distinção entre condições de trabalho precarizado e situações análogas à escravidão, aspectos essenciais para assegurar a dignidade e a legislação trabalhista no setor. Posteriormente, foram discutidos como alinhar metas de responsabilidade socioambiental (ODS) à valorização efetiva da mão de obra local.

O encontro reafirmou que uma indústria genuinamente sustentável depende, em primeiro lugar, da garantia dos direitos humanos fundamentais e do trabalho justo, reforçando que a Moda consciente e ética exige a proteção da dignidade humana.

Natalie Ferreira é Docente e Designer de Moda

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