Ponte entre Cássia e Delfinópolis avança com leilão e promessa de transformar mobilidade no Sul de Minas
Projeto de R$ 221,4 milhões prevê travessia em dois minutos, substituindo balsas e impulsionando desenvolvimento regional

O Governo de Minas Gerais realizou, na última terça-feira, 14, o leilão para a concessão da construção, gestão, operação e manutenção de uma ponte que ligará os municípios de Cássia e Delfinópolis, no reservatório da Usina Hidrelétrica de Mascarenhas de Moraes, no Sul de Minas. O certame ocorreu na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, e marcou um avanço importante para a infraestrutura regional.
O Consórcio Ponte Delfinópolis foi o vencedor da disputa ao apresentar a melhor proposta, com um desconto de 15,10% sobre a contraprestação mensal máxima prevista, fixada em R$ 851 mil. O contrato de concessão terá duração de 30 anos e prevê investimentos estimados em R$ 221,4 milhões.
Com 1.280 metros de extensão, a futura ponte promete encerrar décadas de dependência das balsas, atualmente utilizadas na travessia entre os dois municípios. O sistema, considerado limitado e sujeito a longas filas — especialmente em períodos de alta demanda —, será substituído por uma solução definitiva que reduzirá o tempo de deslocamento de cerca de 30 minutos para apenas dois minutos.
A expectativa é de que aproximadamente 780 veículos sejam beneficiados diariamente, número que representa mais da metade do fluxo atual. Além disso, o impacto da obra vai além das duas cidades diretamente ligadas, alcançando cerca de 300 mil pessoas em aproximadamente 50 municípios da região.
Segundo o governador Mateus Simões, o projeto representa um novo modelo de investimentos em infraestrutura no estado, baseado em parcerias com a iniciativa privada. A proposta busca ampliar a capacidade logística, estimular o turismo e fortalecer o desenvolvimento econômico regional.
O secretário adjunto de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Calixto, destacou o impacto social da obra, afirmando que a ponte deve transformar a vida da população ao facilitar o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, além de impulsionar atividades econômicas.
Atualmente, a limitação de acesso entre os municípios afeta diretamente o escoamento da produção agrícola e restringe o potencial turístico da região. A nova ligação deve ampliar a conectividade e criar novas oportunidades de crescimento.
O projeto também marca um feito inédito para o Estado, sendo o primeiro do setor rodoviário estruturado integralmente pelas equipes da Secretaria de Infraestrutura e da Codemge, sem a contratação de consultorias externas. A diretora de Infraestrutura e PPP da Codemge, Fernanda Alen, ressaltou a importância desse modelo para futuros empreendimentos.
Após a assinatura do contrato, a concessionária terá até 24 meses para concluir o projeto executivo. A previsão é de que a ponte seja entregue à população até 2030.
A travessia por balsas no Lago de Mascarenhas de Moraes foi adotada como solução emergencial entre as décadas de 1950 e 1960, após a formação do reservatório. Desde então, o serviço opera com limitações estruturais e operacionais, reforçando a necessidade de uma solução definitiva — agora, mais próxima de se concretizar.








