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A ditadura chavista e sua luta para sobreviver

Está cada dia mais tensa e imprevisível a situação da Venezuela. O ditador Nicolás Maduro que, em eleições normais já deveria estar preparando a transição do poder ao sucessor, firma-se na declaração de sua duvidosa vitória, prepara uma reforma ministerial e – o pior – já prendeu mais de 2 mil venezuelanos que ousaram contestar o resultado eleitoral e – segundo o mais recente noticiário – agora prendeu 120 crianças, o que o coloca em nível mais sanguinário do que os notórios ditadores Alfredo Pinochet (Chile) e Jorge Videla (Argentina), que nos anos 70 e 80, governaram seus países com mão-de-ferro e fizeram o povo sofrer.
O resultado eleitoral venezuelano é contestado pelos Estados Unidos, União Européia, OEA (Organização dos Estados Americanos), ONU (Organização das Nações Unidas) e mais de uma dezena de países latinoamericanos, exceto Brasil, Colombia e México que, – apesar do pouco-caso de Maduro e seus seguidores, ainda clamam pela apresentação dos boletins de votação que, estando corretos, tirariam as dúvidas e dariam ao mundo razões para acreditar na honestidade da eleição, realizada no dia 28 do mês passado.
O quadro venezuelano é pior do que se pode imaginar. Isso porque as forças armadas e o Poder Judiciário são aliados do ditador e ameaçam os que contestam o resultado eleitoral. Tanto que a suprema corte já declarou a eleição válida, advertiu que sua decisão é irrecorrível e agora está intimando os opositores a prestar depoimento. Eduardo González Urrutia, o candidato opositor, que se considera vencedor do pleito com mais de 60% já foi convocado duas vezes para ir prestar depoimento mas não compareceu, temendo ser preso. Um servidor do próprio sistema eleitoral deu entrevista a um jornal norte-amricano, onde diz que não há provas suficientes para se dizer que Maduro ganhou as eleições. Os opositores convocaram manifestações públicas de protesto pela clareza dos resultados da votação. É difícil prever o que poderá acontecer nas próximas horas e dias em território venezuelano, pois os dois lados do pleito presidencial consideram-se vencedores.
Espera-se que OEA, ONU e o Tribunal Penal Internacional – que já foi acionado – tomem as providências que llhes competem para trazer luzes à eleição contestada e, principalmente, evitar que o conflito se instale e o vizinho país possa ir à guerra civil ou, ainda, sofrer intervenção dos que discordam do resultado eleitoral e, mesmo que não atuem militarmente, possam impor novas sanções que empobrecerão ainda mais o país e aumentarão o sofrimento do povo.
Desde o inico já dissemos não concordar com a participação do Brasil – tanto de um lado quando do outro – nesse conflito. Mas o presidente Lula fez questão de enviar representante e pugnar pela transparência de eleição. Como Maduro pouco ou nada deu de atenção aos seus apelos, deveria distanciar-se do problema e apenas guarnecer a fronteira que mantemos com a Venezuela para evitar qualquer incidente.
Pensamos que a solução não é difícil. Se os boletins de votação forem tornados públicos não haverá, pelo menos em principio, razão para continuar a contenda. Numa nova totalização, o candidato que reunir maior número de votos deve ser declarado vencedor e a vida seguirá. Para isso, Maduro e seus aliados precisam liberar a documentação para que auditores insuspeitos – de preferência com acompanhamento dos países que pedem transparência – façam a recontagem e se proclame o resultado. Também é imperativo que os presos sejam libertos pois não haverá mais o “crime” que justificaram a medida de força. Quanto ao presidente Lula, por favor, tire o Brasil dessa contenda que já está ficando constrangedora. Cuide dos problemas brasileiros e, no máximo, apóie o que os organismos internacionais venham a fazer para a Venezuela. Quanto a Maduro, faça o mesmo que fez em relação a Daniel Ortega (da Nicaragua). Nosso País tem muitas questões próprias a decidir e não deve ficar à mercê dos interesses de ditadores e republiquetas.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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