
Aconteceu o que toda a Nação já sabia e o governo negou durante meses. O presidente Lula demitiu o presidente da Petrobras, ex-senador Jean Paul Prates. E, para a nossa economia, o fez na pior forma possível: terça-feira à noite, chamou-o ao Palácio do Planalto e deu-lhe a notícia na presença dos ministros Alexandre Silveira (das Minas e Energia) e Rui Costa (da Casa Civil), seus dois críticos dentro do governo. Prates ainda aquiesceu à sugestão presidencial de que pedisse demissão para facilitar as coisas. Mas declarou-se a amigos sair humilhado e disposto a deixar o Partido dos Trabalhadores. Vai para seu lugar Magda Chambriard, engenheira ex-funcionária da companhia, que presidiu o Conselho Nacional do Petróleo (CNP) no governo de Dilma Rousseff. A saída de Prates levou as ações da empresa a uma desvalorização de R$ 34 bilhões.
Diz-se que desde o final de 2022, quando seu nome foi anunciado para presidir a estatal, Prates já encontrou oposição no seio do governo. Mas sua fritura real durou 9 meses, quando fez questão de realizar a política da própria empresa e não a do governo que – pelo que se diz em bastidores – quer a petroleira voltando aos tempos em que investiu alto em estaleiros, navios e gasodutos, mesmo tendo esse negócios se tornado casos de polícia e justiça.
O certo é que Prates se foi e quem manda agora é Magda. E a troca causou uma desvalorização nas ações da empresa. Quando vai trocar a direção de uma estatal ou um ministro, o governante deve agir rápido e em sigilo, para evitar os efeitos colaterais que além de desvalorizar as ações, ainda pode trazer traumas às atividades. O processo de fritura – seja no poder público ou na iniciativa privada – além do prejuízo financeiro, há a demonstração de que a governança não dispõe da devida força para exercer o seu direito de escolha e a obrigação de bem administrar o negócio. Só frita quem não tem o poder de resolver.
A Petrobrás, uma das maiores petroleiras do mundo, poderia ir muito bem se privatizada e o governo apenas cuidasse da normatização e fiscalização. Aliás, um procedimento que deveria ser padrão e comum a todas as empresas criadas pelo Estado. Depois de implantadas e equilibradas, deveriam ser entregues à iniciativa privada e apenas acompanhadas pelo poder concedentes. Dessa forma, ficariam livres de uma séries de inconvenientes, principalmente sua utilização como cabide de empregos para protegidos políticos. Espera-se que a nova presidente faça o melhor que sabe e consiga conviver com as demandas do governo que, em última analise, é o dono do seu posto.
O presidente Lula está vivendo um momento de elevada tensão. Já foi três vezes ao Rio Grande do Sul por conta das inundações que sinistram o Estado. Reclama que o governador Eduardo Leite não se contenta com os recursos que o governo vem destinando e, ao anunciar os meios para socorro à população (casas do padrão Minha Casa Minha Vida e um Pix de R$ 5,1 mil para cada família), desperta a desconfiança dos adversários de que estaria atuando eleitoralmente. A nomeação de Paulo Pimenta como ministro extraordinário para a reconstrução do Rio Grande do Sul, anunciada na quarta-feira, cai como uma bomba. Analistas lêem como uma forma de alavancar o correligionário, já declarado pré-candidato ao governo do Estado em 2026. Outros dizem que a solução foi estratégica e Lula desviou Pimenta para o Sul porque sua atuação na Comunicação do governo estaria com problemas.
Independente das motivações, o presidente da República está colocado na posição de quem começa uma reforma ministerial – o que é comum num governo que vai se aproximando da metade do seu mandato. Mas, para as mudanças trazerem bons resultados, é fundamental que sejam gestadas dentro do sigilo possível e só anunciadas quando seus pormenores estiverem pacificados. Não há governo e nem governante que aguentem a fritura do padrão da imposta ao ex-presidente da Petrobras. Quando isso acontece, perdem todos: o governo, os fritados e, principalmente, a Nação…







