Religião

“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito”

(Jo 3,16)


João 3 narra a visita que Nicodemos fez a Jesus. Na conversa, ele demonstrou admiração pelo Mestre, reconhecendo que ele veio de Deus, por causa de suas obras. Jesus disse a Nicodemos que ele deveria nascer do alto, da água e do Espírito para poder ver o Reino de Deus. Este nascimento é uma experiência pessoal e espiritual, que somente Deus pode conceder, quando o Espírito Santo irrompe em nossa alma a sua unção e nos gera de novo.

Na continuidade do diálogo, Jesus citou um episódio ocorrido no tempo de Moisés, quando o povo caminhava pelo deserto (Nm 21,4-9). Orientado por Deus a evitar a terra de Edom, um caminho com mais riscos e perigos, Moisés guiou sua gente por outro rumo, mais exigente. Alguns começaram a murmurar. O Senhor enviou serpentes venenosas que mordiam as pessoas. Muitos morreram por causa disso. O povo se arrependeu e pediu a intercessão de Moisés. Deus ordenou que se fizesse uma serpente de bronze e que a mesma fosse colocada numa haste. Todos os que eram mordidos pelas serpentes venenosas deveriam olhar para a serpente de bronze e, assim, receber a cura de Deus.

Não contemplamos mais uma serpente de bronze, mas o Filho de Deus na cruz. Nossos olhos, nosso coração e nossa atenção se voltam para aquele que é fonte de vida e salvação. Na cruz o grande mistério de amor se revela: o Pai nos ofereceu Jesus para nos salvar.

O apóstolo Paulo afirma que “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida em Cristo” (Ef 2,4-5). Após a sua conversão, Paulo começou a pregar a justificação como fruto da graça, pela redenção em Jesus Cristo (Rm 3,24). O maior sinal do amor do Pai por nós é o envio do seu Filho e sua morte na cruz para nos redimir. Somos justificados pelo dom do Espírito Santo. Deus é pura misericórdia e não se deixa mover pelas obras da Lei, mesmo sendo elas muito importantes. O seu amor é gratuito e nunca conquistado ou merecido. Ele nos liberta dos pecados, mediante a sua graça e a nossa fé em Jesus Cristo (Ef 2,8). Esta certeza nos consola e afasta de nós qualquer sentimento de tristeza. É preciso cultivar a alegria, que tem Deus como causa, caminhar na prática das boas obras, iluminados com a sua luz. “Quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus” (Jo 3,21).

Minhas orações a todos.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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