“Chops” no Pinguim só uma vez na vida
Inhaim?
Combinamos, uma turma, de ir pra Ribeirão Preto no tal do bosque e conhecer a choperia Pinguim, coisa de granfa. Um sábado de calor infernal. Parecia que eu estava abraçada com o chifrudo no inferno. Meu sonho era conhecer o Pinguim. Todas as minhas “patroa” tinha ido. Tirei uma reservazinha na Caderneta de Poupança para ir. Melhor ir de turma grande pra despesa da gasolina e do Pinguim não pesar no bolso. Fomos no meu Corcel e na Belina do Necrotério Kudo Endo, que morava na rua de cima.

No Corcel estavam eu, a Lolosa (que foi dirigindo), Tobiniana do Tobas Liso (com seus dois metros de perna e sua mala de viagem no meio das pernas), João Veado Colapso Cardíaco e sua mulher Joana Aberta Demais Conjugais, uma portuguesa que falava tudo enrolado. Na Belina verde estavam meus chapas Necrotério (dirigindo), Agamenom Brochado, Crisóstomo Cambiquira, Dukarai Dilermando e minha vizinha Fodelícia.
Ninguém sabia direito onde era, mas conseguimos chegar no bosque. Chegar cedo no Pinguim não ia pegar bem e “nóis” não tinha dinheiro pra beber o dia inteiro. Por garantia, levamos uns corotinhos.
O bosque foi uma decepção. Vi um leão sem dente – coitado, precisa de dentadura. Ele não morde a carne, só a chupa. Leão mais velho do que a Serra da Canastra. Vi uma hiena – “treim” bobo, só rindo. “Tô vestida de ‘paiaça’”? Uma lhama do peru suja e fedida pacas. Os macacos todos tarados, mostrando as partes, além de cagar na mão e jogar na gente. O hipopótamo tem um ventilador no rabo: caga jogando sujeira para todo lado. O jacaré fica deitado na pedra, parecendo o Juca Balduíno, que morreu de preguiça. Jacarezinho bom para fazer sapato e bolsa de madama.
Andamos nesse bosque de Ribeirão, cheio de subida e mato, que minha “juaneti” ficou “vermeia”. As “correia” da minha sandália branca de salto de cortiça pega bem em cima dela. Comecei a “rastá” uma perna de tanta dor. Um menino “penteio” passou perto de mim e falou pra mãe dele que eu era aleijada. A bunda dele…

Depois de andar feito condenada a forca naquele fedor, fomos pro Pinguim. O trânsito um horror. Ribeirão é um calor dos infernos. O CEP do Capeta deve ser de lá. Minha menopausa supitava. Tava chiando feito panela de pressão.
Com a grana curta chegamos no tal do Pinguím. Só pra estacionar a Belina e o Corcel pagamos 12 paus para cada um. Combinamos de pedir só um “chops” para cada um e levamos umas três horas para beber. O garçom olhando “nóis” de “esgueio”, de cara feia. Uma mesa enorme. Pedimos uma porção de queijo à milanesa, a mais famosa. 80 paus. Com 80 paus eu faria a festa o bar do Purserinha. Tinha também um tal de “cuver”. Eu não sabia que para ver o sul tem que pagar. Quase mostrei o meu para ganhar uns “troco”. Mastigamos a porção umas 80 vezes.
Pagamos a conta e fomos embora. Pobre metido a rico é uma desgraça. Prefiro meus botecos “copo-sujo”…






Muito bom. Parecia que eu estava vendo a cena