Religião

O Sagrado e o Profano

No princípio Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, de modo que quis fazer em cada um de nós a sua habitação. Deus fez a sua habitação em nós no dia de nosso Batismo, pois fomos batizados em nome da Santíssima Trindade e nesse dia passamos a ser consagrados. Deus, infinitamente bom e santo, nada deseja tanto quanto nos comunicar os seus bens e nos fazer felizes. Porém, as obras da carne(cf. Gal 5,16-25), os nossos instintos e nossas concupiscências sufocam em nós os frutos do Espírito: Amor, alegria, paz, bondade, fé, mansidão e autodomínio e de sagrados nos tornamos profanos.  

A questão é que existe uma força da natureza agindo em nós, que muitas vezes pensamos ser mais cômodo dar corda a esta realidade, do que combatê-la. Com isso nos fechamos à ação de Deus em nós. A partir deste momento nos tornamos profanos, pois Deus não encontra espaço para fazer sua habitação em nós.

As coisas temporais são transitórias, por isso se faz necessário termos em nós o gosto pelas coisas sagradas, pois elas são eternas: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado”(Mt 6,36).

“A pessoa que perdeu a graça santificante, nada pode merecer nesse estado, porque a graça santificante é o princípio da vida sobrenatural… Entretanto, o abismo da miséria atrai o abismo da misericórdia. Aquele que se encontra caído no abismo de suas misérias poderá gritar a Deus que o levantará da sua prostração”(Garrigou-Lagrange).

São Boaventura escreve: “Se queres sofrer com paciência as adversidades e misérias desta vida, tenha vida de oração; se queres alcançar virtude e fortaleza, tenha vida de oração; Se queres conhecer as astúcias de Satanás e defender-te dos seus enganos, tenha vida de oração; Se queres ficar livre de vãos pensamentos, tenha vida de oração; se queres ficar livre de todos os vícios e saborear a doçura das virtudes, tenha vida de oração; se queres fazer a vontade de Deus e subires ao monte da contemplação das coisas celestiais, exercita-te na oração”.

“Pedi e vos será dado! Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta! …”(cf. Mt 7,7-8).

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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