
Era comum nos anos noventa, nos meses de outubro e novembro, a criançada tomar às ruas atrás das cigarras – hoje tão sumidas. Aquele canto vibrante durante todo dia, com maior tom nas manhãs e fim de tarde, era o horror de muitos adultos, principalmente passar debaixo das árvores sem levar uma boa “batizada” com xixi da criatura. Enquanto isso, era uma alegria enorme para meninada, os “predadores” principais da “praga” (risos).
Enquanto os cafeicultores buscavam meios para dizimá-las, pois enfraqueciam sua “árvore de ouro verde”, a garotada usava a criatividade na produção de suas armadilhas de caça. Íamos ao bambuzal próximo aos córregos de Ribeirão Corrente e escolhíamos o que daria certo – era em torno de dez metros de comprimento. Colhíamos e deixava secar até ficar em um tom amarelado, de modo que não se curvasse ao levantar.
Cortávamos a garrafa pet de dois litros ao meio, com um furo transpassado de um lado ao outro tornava-se uma “cuba”. Colocava esta cuba plástica na ponta do varão de bambu. Essa era a ferramenta que era usada para chegar nos pontos mais altos das árvores, e dos postes, que na época era de madeira. Usávamos nosso senso de “humanos-coletores”, não para alimentar, mas como uma boa criança – para brincar.
Depois de tudo pronto, saíamos pelas ruas sem camisa, de pés descalços, com a ferramenta em uma das mãos, e uma garrafa plástica na outra para armazenar a caçada. Eu morava na rua Farid Salomão próximo a esquina, e gostava de fazer as buscas na rua de cima, Fued Salomão. Haviam muitas árvores frondosas naquela rua, algumas da espécie sete copas. Como ficávamos muito tempo na rua, adorava comer as frutas e as castanhas da dita árvore. Eram duas alegrias: a primeira era capturar a cigarra “cantadeira” (risos), motivo de ostentação. A segunda, era comer as frutas da sete copas.
Hoje os tempos são outros, não há mais árvores. Com os perigos das ruas, excesso de estímulos, sobretudo acesso a tecnologia através do celular cada vez mais cedo, as crianças não saem mais para vivenciar a magnifica experimentação do brincar na rua. Não tenho dúvida que brincar faz bem para saúde. E, para criança, brincar é coisa séria. Assim como, o trabalho para nós adultos. E as cigarras, essas estão cada vez mais raras por aqui. Nos tempos de hoje não se ouve “cantadeiras” como antigamente (risos).







Pois é meu caro! Realmente desapareceram boa parte das árvores, quanto as crianças não vivem mais a experiência da busca das cigarras. O cantar das cigarras ecoa cada vez mais longe.
Infelizmente, meu amigo. Que este cenário mude. Grande abraço, grato pela leitura e comentário.
Fez parte da minha infância essa atividade de capturar Cigarras , Bons tempos.
Obrigado pelas lembranças Dione Castro.
Eu que agradeço por ler e comentar. Grande abraço.