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O vício

Me deitei, mas nem dormi,
Levantei-me e já cheguei ao bar para beber.
São paredes labirínticas, parece que nem saí daqui,
Entro assim que ele abre e vou até o amanhecer.

Já nem sinto mais o cheiro azedo
Que sai da minha boca com xerostomia.
Todos me evitam e apontam o dedo:
_ Lá vai o cachaceiro, vagabundo, enche a cara todo dia.

Sempre tive poucos amigos,
Não fiz muitos nessa vida de bar.
Perdi contato com os antigos,
Com os novos resta tomar e chorar.

Não a culpo pelo abandono, foi embora minha esposa,
Que amo e prometi viver até envelhecer.
Já não tenho mais sua presença gostosa,
E dá saudade dos filhos que vi nascer.

Por isso manguaço mais e mais.
Eu limpo a goela até não aguentar.
Bebo em anos-novos e Natais
Pois não tenho o que comemorar.

Mas isto não é suficiente!
Revolto-me e a única coisa que faço e me dá prazer
É ver todos os que me amam incondicionalmente
Sofrendo comigo nesse meu viver.

Uma vida perdida, a areia da ampulheta não para de descer.
Inúmeras oportunidades desperdiçadas por esse vício de destruição.
Não consigo, e talvez nem queira, parar de beber,
A sobriedade me lembra um caminho de derrota e frustração.

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Michel Pinto Costa

É Oficial de Promotoria do Ministério Público do Estado de São Paulo, em Franca, e bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Franca.

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